quinta-feira, 29 de julho de 2010

HOMILÉTICA "A Arte da Pregação Evangélica" Parte VI

Hermenêutica Básica (continuação)

Também é bom lembrar que existem diferenças no sentido das palavras de contexto para contexto. Como a palavra “mundo”: em João 3.16, está escrito que Deus amou o “mundo”...e em I João 2.15 as Escrituras nos recomenda que não devemos amar o ”mundo”. A explicação pode ser encontrada em um dicionário teológico, ou comentário bíblico. Vejamos o que um dicionário gratuito virtual nos diz:

Mundo:"1) A terra (Sl 24.1). 2) O conjunto das nações conhecidas (1Rs 10.23). 3) A raça humana (Sl 9.8; Jo 3.16; At 17.31). 4) O universo (Rm 1.20). 5) Os ímpios e maus, que se opõem a Deus (Jo 15.18) e têm o Diabo como seu chefe (Jo 12.31). 6) Os habitantes do Império Romano (Lc 2.1)."


 
         Certas palavras bíblicas têm um significado técnico específico, como “sacrifício” que possui um significado teológico bastante amplo. Também existe termos cuja etimologia é importante ou instrutiva. Como por exemplo, a palavra “poder” que possui pelo menos cinco significados originais: 

1) Ez 29.21-qeren:Um chifre de um animal; símbolo de poder, força e vitória [os 4 cifres do altar simbolizam a poderosa presença de Deus( Lv 4.7;9.9]. 

2) Mc 3.15-exousia: autoridade ou direito para agir, autoridade, privilégio, capacidade, autoridade delegada. Exousia é a autoridade para usar dunamis, “poder”. 

3) At 4.33-dunamis: energia, grande habilidade, poderio. [pode se comparar a dinamite.

4) I Tm 6.16 -kratos: domínio, força, poder manifesto [refere-se ao poder dominador de Deus sobre o Universo].

5) Ishurus: Força física.



Que grandes lições poderemos tirar desse estudo etimológico ! Será de grande utilidade o pregador ter conhecimentos básicos do grego e hebraico.

REGRAS RESUMIDAS PARA UMA BOA INTERPRETAÇÃO:


ORE, POIS A BÍBLIA É O ÚNICO LIVRO QUE VOCÊ LER COM O AUTOR DE LADO.

2º TENHA SOMENTE A BÍBLIA EM MÃOS, POIS A BÍBLIA É A SUA PRÓPRIA INTÉRPRETE.

EM UM LUGAR CALMO, SEM O RISCO DE INTERRUPÇÕES: LEIA, CONCENTRE-SE, RELEIA E REPITA O TEXTO.

ANALISE CADA PALAVRA NO SEU SENTIDO USUAL E COMUM.

ANALISE CADA PALAVRA COM A FRASE DO TEXTO.

ANALISE CADA PALAVRA COM O TEXTO INTEIRO, OU SEJA, O CONTEXTO.



QUEM ESCREVEU? PARA QUEM ESCREVEU? COM QUE PROPÓSITO ESCREVEU? E O QUE ISTO QUERIA DIZER PARA OS LEITORES ORIGINAIS?


VEJA SE NO TEXTO EXISTEM PALAVRAS DE SIGNIFICADO TEOLÓGICO, SIMBOLÓGICOS, CULTURAIS OU FIGURAS DE LINGUAGEM, QUE ESTUDAREMOS AGORA.



quarta-feira, 28 de julho de 2010

I SEMINÁRIO DE ESCATOLOGIA



A ESTEADEF  - Escola Teológica da Assembleia de Deus Filadélfia oferece nestes dias 27,28 e 29, ás 19 hr na igreja sede, situada na Av. Brasil Nº29 Maranguape 0 Paulista-PE. O curso é oferecido com inscrições com um valor simbólico e com direito a apostila e certificado.


Poderemos postar partes do estudo neste blog, caso haja pedidos.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

HOMILÉTICA "A Arte da Pregação Evangélica" Parte III



Hermenêutica Básica

“Entender o que o texto realmente diz, tanto para sua época, quanto para hoje, é a base de toda pregação. Visto que a pregação é a proclamação das verdades contidas neste texto”

         Tenha em mãos auxílios lexicais como comentários, concordâncias e dicionários teológicos, pois a Bíblia foi escrita em Hebraico, Grego e Aramaico. Por isso, é muito importante ter o conhecimento básico dessas línguas. Pois, tendo a noção correta do que o texto diz, o pregador corre menos risco de fugir da verdade Bíblica.

Regras básicas de uma boa Interpretação

O trabalho de um pregador deve ser caracterizado pela alta qualidade. Na exposição e no ensino dos preceitos e conceitos bíblicos, esta alta qualidade só é atingida com empenho e dedicação. No prefácio de sua edição Manual do Novo Testamento Grego, edição de 1735, J. A. Bengel, escreveu: “aplica-te totalmente ao texto: aplica-o totalmente a ti”.

Os passos para o estudo de um texto são:
 I.    REPETIÇÃO: A repetição é uma forma de canalizar a mente de modo regular, numa direção específica, firmando assim hábitos de pensamentos.
 II.    CONCENTRAÇÃO: A concentração é o segundo elemento prático no estudo. Se além de conduzir a mente repetidas vezes ao assunto em questão a pessoa concentrar-se no que está sendo estudado, a aprendizagem aumenta sobremaneira.

 
III. ANÁLISE DO CONTEXTO: O contexto ajuda a não torcer a Palavra de Deus. Os que deturpam ou torcem a Palavra são chamados de ignorantes e instáveis (2a Pedro 3:16). O contexto fornece preparo e alicerce sólido para uma boa exegese. O sentido correto da Bíblia e das palavras vem do contexto. O contexto é a garantia da verdade nas escrituras. “Um texto fora do contexto é um pretexto” diz o adágio dos estudos de exegese. O melhor modo de estudar as Escrituras é aprender a pensar de acordo com o contexto: é aprender a extrair a mensagem inteira de textos longos; é também ler como leram os primeiros leitores.

Lembro de uma historia que li, se ela é verdade não posso afirmar, por isso a passo da forma como a li. 

Um certo obreiro foi convidado a participar de um congresso. Ele viu nesse convite uma oportunidade de ganhar um dinheiro extra, e mandou imprimir mil camisetas com o logotipo e o lema do congresso. Arrumou uma mesinha na entrada do local de reuniões e colocou o filho como encarregado de vender as camisetas. No último dia de reuniões, foi verificar o resultado de seu negocio e viu com surpresa que só tinha vendido vinte camisetas, horrorizado comprovou que estava com um prejuízo de 980 camisetas. Como ele tinha o sermão de encerramento, subiu aquela noite no púlpito, e disse:

“Amados irmãos, hoje eu tenho uma mensagem de Deus para vocês”. – Aleluia! Exclamou entusiasmada a platéia que lotava o recinto – “Deus falou comigo!” – continuou o pregador – E Ele diz, com voz clara e audível que eu deveria seguir a Bíblia e que eu deveria obedecer também o que ela diz. Então eu pergunte a Deus. O que eu devo fazer Senhor? Eu fiz a mesma pergunta de Paulo no Caminho de Damasco. Então o Senhor me respondeu: “Abra a Palavra e leia, leia e obedeça!”.

Irmãos, então tomei a minha Bíblia e abri, a leitura que o Senhor me mostrou estava em Marcos 10:21. O Senhor me diz, pela sua Palavra: “Vai, vende tudo...”.
“Agora eu tenho que obedecer... e vocês têm que cumprir essa ordem do Senhor, eu estou com 980 camisetas ali na entrada, elas são abençoadas pelo Senhor, e Deus me diz: Vai vende tudo, por isso eu não posso sair daqui até não ter vendido até a última delas. Irmãos... Está escrito, vai e vende tudo, eu tenho que obedecer”.

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Veja o perigo de negligenciarmos o contexto dos textos bíblicos. Quantas heresias e doutrinas de demônios têm sido formuladas e aceitas por pessoas que não analisam 
o contexto. Muitos crentes sérios também se enganam por não examinarem as Escrituras. (MT 22:29; OS 4:6).

         Uma questão importante deve ser levada em consideração ao interpretarmos algum texto, pois algumas palavras traduzidas diferem no sentido moderno. Para não haver nenhuma dúvida do que realmente a palavra realmente diz, o pregador deve possuir o maior número de versões da Bíblia que puder. Pois, comparando-as ter-se-á uma melhor compreensão do verdadeiro sentido da palavra. 

terça-feira, 13 de julho de 2010

HOMILÉTICA "A Arte da Pregação Evangélica" Parte II

Conceitos Básicos


A Homilética se relaciona a tudo sobre preparação e entrega de sermãos.  Os conceitos básicos que devemos saber são:

·         Exegese: Interpretação, explicação ou comentário (gramatical, histórico, jurídico, etc.) de textos, principalmente da Bíblia.
·         Eloqüência: Capacidade de falar e exprimir-se com facilidade; dom da falar com fluência.
·         Hermenêutica: Princípios de interpretação bíblica; arte de interpretar os livros sagrados e os textos antigos.
·         Homilética: Vem de homilia=conversação. Eloqüência de púlpito, de cátedra; arte de pregar sermões, não se abstendo do aprimoramento das habilidades oratórias. É a ciência que ensina os princípios fundamentais dos discursos em público.
·         Oratória: Arte de falar em público eloqüentemente ou em consonância com as regras da retórica; peça dramática religiosa.
·         Pregação: É a comunicação verbal da verdade divina com o fim de persuadir. Têm em si dois elementos: a verdade e a personalidade.
·         Sermão: Vem do latim, Sermonis=conversa e hoje significa discurso. Um discurso religioso formal, baseado na Palavra de Deus, e que tem por objetivo salvar os homens.
·         Tema: É a matéria de que trata o sermão; a idéia central do sermão; o assunto apresentado no sermão.

2. Requisitos de Um Bom Pregador

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         A pregação, isto é, a comunicação da verdade de uma pessoa para outra, é composta principalmente de: A Verdade e o Pregador. Se faltar um desses elementos a pregação será apenas um discurso e o pregador, apenas um palestrante.

         O assunto da pregação é a verdade divina, centralizada no Evangelho do modo como foi revelado e oferecido em Jesus Cristo. Seu tema é a vida eterna, como nas palavras de Jesus, ”para que tenham vida e a tenham com abundância”. Diante dessa tão grandiosa incumbência o requisito que deve estar em primeiro lugar é a genuinidade, em seguida os dotes naturais, o conhecimento e a perícia.

a)           A Genuinidade- É a qualidade da alma. É a sinceridade de quem tem verdadeiramente uma íntima comunhão com Deus. Não é uma postura assumida, nem presunção, mas uma movimentação no calor da graça divina e no fervor do Espírito Santo. Até o ímpio a identificará como uma grande devoção a Deus e mudará a sua opinião sobre o pregador. O que temos visto hoje são pregadores que pregam a Palavra como teoria que nem eles mesmos praticam. Algo bonito de se ouvir, é isso que eles querem ouvir, pensam os nossos pregadores, quando na verdade o que os ouvintes querem e precisam é ver Deus na vida do pregador, sinceridade de quem tem realmente um contato contínuo com o Pai. Seja genuíno. Pois, a vida do pregador muitas vezes fala mais alto do que a sua própria pregação. Sem a santidade o pregador torna-se um hipócrita, já que está pregando o que nem ele mesmo vive. Se você realmente deseja ser um pregador eficaz deve primar pela sua santificação pessoal, através da oração e consagração constantes, pelo bom testemunho das verdades que você prega. Como também se esvaziar de si mesmo e encher-se cada vez mais de Deus e de seu Espírito. Eu me entristeço muito ao ver muitos pregadores ministrarem a Palavra com interesse em receber uma oferta alta da Igreja, e com interesse de receber elogios e fama. Os púlpitos não podem se transformar em vitrines de estrelas, nem passarelas para alguém se apresentar.

Nós não somos estrelas, somos como a Lua, não temos luz própria, somos portadores da luz que vem do Sol da Justiça, apenas refletimos a glória de Deus. Tenha muito cuidado para não querer receber a glória que pertence a Deus, pois a glória d’Ele não divide com ninguém (Isaías 42:8).

b) Dotes Naturais e Conhecimento- O pregador necessita da capacidade de pensar claramente, de conhecimentos gerais de Português, psicologia, geografia bíblica, História Geral e Bíblica, Usos e Costumes nos tempos Bíblicos, Doutrinas Bíblicas, a fim de interpretar corretamente o texto bíblico, e para então, poder aplicá-los no seu sermão. Todo conhecimento é bem vindo na preparação de um sermão. Segundo Cícero o bom orador deve conhecer tudo. Desprezar estes conhecimentos resultou em grande prejuízo para nossas igrejas nos séculos passados. Exemplo dessas más interpretações ocorreu em uma denominação pentecostal que proibia o uso de diademas por parte das irmãs baseados em textos apocalípticos. Como também o grande erro da Igreja Católica Romana em afirmar que Pedro é a pedra sobre a qual Jesus edificaria a Igreja. Usar correta e adequadamente os conhecimentos gerais em sermões embeleza, ampliam a visão e enriquecem a pregação. Pois, toda pregação é um ensinamento, mas nem todo ensinamento é uma pregação.

         O bom pregador deve possuir sentimentos firmes e uma imaginação vigorosa, como também de capacidade de expressão. Esse último, pode se conseguir em oração. (Ex 4.11-12).

c)   Humildade (soberba e auto-exaltação são a causa da queda de muitos pregadores).
d)   Seriedade (Deus não chamou você para alegrar o povo, mas para pregar a verdade).
e)  Respeito á Deus, aos ouvintes e ao ministério da igreja. O erro de muitos pregadores intinerantes, e não somente eles, é depreciar o ministério da igreja local, como se ele fosse a solução para tudo e o ministério nada faz pela Obra.
f)    Unção do Espírito Santo (Não use a armadura de Saul, confie na sua própria chamada, não precisa imitar pregadores famosos, Deus usa a cada um de uma forma diferente e especial).

Lembre-se que o Deus que chamou Moisés, Jeremias, Pedro, João e tantos outros, também os capacitou. Portanto, não tenha medo, Deus chama homens dispostos á anunciarem a Palavra que transforma vidas!

Aniversário da Assembléia de Deus Filadélfia

Que a graça e a paz de Cristo esteja convosco.


Estamos grandemente agradecidos ao Deus Eterno por suas operações sobrenaturais que operou em nosso meio. Deus derramou rios de alegria e copiosas  chuvas de sua graça. Agradeço a Ele e a todos que direta e indiretamente contribuíram para esta festa tão gloriosa.




Agradecemos aos pastores Armando Filho, Lucas Lima, Francisca Rodrigues e a todos que nos honraram com sua presença.



segunda-feira, 5 de julho de 2010

HOMILÉTICA "A Arte da Pregação Evangélica" Parte I

Traremos uma série de estudos sobre Homilética, a arte da pregação. Nesta primeira parte traremos uma breve introdução ao tema. 



Introdução

        Como é maravilhoso sentar-se para ouvir um pregador manejando bem a Palavra da Verdade. Principalmente quando ela está carregada de muita unção e bem elaborada. Mas, existem pregadores desagradáveis de se ouvir, ora pelo sermão não preparado ou pela transmissão inadequada. Helmut Thielicke, famoso pregador alemão, disse: "Onde quer que encontremos, hoje em dia, uma congregação cheia de vida, encontraremos no centro uma pregação cheia de vida". Mas, como atrair a atenção do auditório sem perder a essência da Palavra? Como pregar persuasivamente bem? Surge então a necessidade da Homilética. Como qualquer outro artista, fazendo, aprende melhor. Se o estudante buscar o Reino de Deus, amar as pessoas, estudar a obra da pregação e preparar-se para a eficiência no púlpito, de acordo com os ideais deste estudo, poderá crescer, ano após ano, como pregador. Que ninguém se dedique a uma vida de pregação sem antes refletir e orar; mas, uma vez tomada a decisão de pregar ou aceito o “chamado”, que esforço nenhum seja então poupado na preparação.

A pregação é característica peculiar do cristianismo; nenhuma outra religião jamais tornou a reunião freqüente e regular de massas humanas para se ouvir a instrução religiosa e a exortação como parte integrante do culto divino. Houve algo semelhante no judaísmo, mas não com tanta ênfase como no cristianismo.

A pregação se constitui uma função primária da igreja.
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Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor.” 
Lc 4.16-21

         Como podemos ver, o próprio Jesus deu primazia ao ministério da pregação e por isso, ao pregar nos mais diversos lugares: sinagogas, nos montes, à beira-mar, indo de vilarejo a vilarejo, arrastava multidões com suas palavras de graça e autoridade de Seu ensino. Sua pregação era um clamor, que muito insistia por sua compaixão e que era poderoso por sua urgência.

         Embora existam atualmente vários meios para comunicar a verdade, como rádios, filmes, livros, revistas e outros tantos, nada pode substituir a pregação da Palavra de Deus. Quando um homem se mostra apto para ensinar, cuja alma está nas chamas da verdade que ele acredita tê-lo salvo e espera salvar os outros, fala face a face a seus semelhantes e os raios de simpatia vão e vêm entre ele e seus ouvintes, até elevar a uns e outros , cada vez mais alto, a intensos pensamentos, até a mais calorosa emoção- de modo que se sintam arrebatados por carros de fogo para além do mundo- há aí um poder que envolve os homens, que influencia o caráter, a vida e destino, poder nenhum que página impressa, cabinas de rádio, ou telas de cinema jamais produzirão.

         Por isso, devo trazer uma advertência aos pastores: Cuidado! Não substituam a pregação da Palavra de Deus em suas igrejas pela obra pastoral ou pelo louvor na liturgia dos cultos. É você pastor que deve ministrar a Palavra nos púlpitos de suas igrejas e deve mostrar ás suas ovelhas o quão importante é a Palavra de Deus para a vida de qualquer cristão. Também não se esqueça da dedicação ao prepará-lo, e tenha cuidado para não estar cansado demais para ministrar, pois a igreja também ficará.

 
Nunca reserve os chamados dez ou cinco minutos para a pregação da Palavra. Ela tem primazia em qualquer lugar! Você que almeja ser um arauto de Cristo também deve, de fato, dedicar-se ao estudo da Palavra e no aperfeiçoamento deste talento. Por isso, este estudo será um bom auxílio para seu crescimento na graça e no conhecimento.

Se você acha este estudo proveitoso, deixe o seu comentário.

Flávio Alves

A glória de perder e a tragédia de ganhar

Quantos sejam os anos da vida de um ser humano, ela sempre se caracteriza por uma sucessão de ganhos e perdas.Jesus estabeleceu princípios estranhos, porém sólidos e verdadeiros ao deixar claro que para ganhar é preciso perder.


Muitos vivem preocupados o tempo todo com a falsa glória de perder peso e a penosa tragédia de ganhar fama. A perda de peso é falsa porque nada acrescenta ao caráter. O lucro da fama pode ser uma tragédia pelos inimigos que conquista e pelo mau uso das benesses por ela adquiridas.


Ganhar a salvação quase sempre significa perder amigos, mas estes são efêmeros enquanto aquela é eterna.Quando Cristo nos ganhou, o Diabo nos perdeu. Moisés perdeu o fausto do trono do Egito, mas ganhou a glória da comunhão com Deus no monte.


Abraão perdeu a estabilidade de Ur dos Caldeus, mas ganhou o status de peregrino de Adonai. Em Ur, vivia em esterilidade.Como peregrino, tornou-se pai de uma multidão de nações.


Muitos perdem a honra quando ganham muito dinheiro. Outros ganham reputação, quando perdem o temor de ser honrados.Muitos perdem o tempo que não sabem aproveitar e ganham o prêmio da inatividade.


Outros ganham o troféu de laboriosos, enquanto perdem o amor pela inércia. Abrão perdeu o nome de mais alto, para ganhar o de mais amado. É melhor ser amado em baixo, que desprezado em cima.


Jacó perdeu o direito de andar totalmente ereto entre os homens, mas ganhou o privilégio de um novo nome, que o declarava príncipe de Deus. É melhor ter o defeito de Jacó que a beleza de Absalão.


Daniel perdeu o prazer de ricos banquetes, mas ganhou a bênção de interpretar sonhos do rei. José perdeu a emoção de uma aventura rápida com a mulher de Potifar para ganhar a designação de Primeiro-Ministro da nação mais poderosa de seu tempo.


Esaú perdeu o respeito pela primogenitura para ganhar o título de leviano e fornicário. João Batista considerou uma glória perder a cabeça física, para poder ganhar a aprovação da Cabeça Espiritual.


Ananias quis ganhar algumas cédulas que enriqueceriam seu patrimônio, mas perdeu a própria vida, sob o juízo de Deus. Alguns perdem o respeito para ganhar posições. Outros perdem posições para ganhar o respeito.Existem os que choram quando ganham, pois sabem que a vitória era de outros e os que se alegram quando perdem, pois perderam o que não deviam possuir.


Na contabilidade espiritual de Paulo, perder posições humanas era uma glória, enquanto ganhar almas era um privilégio. Caro leitor, como estás no ganha-e-perde da vida? Bem-aventurados os que se desvencilharam de tudo que ganharam erradamente. Mais bem-aventurados ainda os que conseguiram recuperar tudo aquilo que jamais deveriam ter perdido.


O filho pródigo, longe de casa, experimentou a tragédia de ganhar amigos. Só quando vivenciou a glória de os perder, se sentiu realmente feliz.O irmão do filho pródigo perdeu a alegria quando o viu ganhar a reconciliação. Para aqueles que choram as muitas perdas de ontem, recordamos que elas serão superadas e esquecidas pelas vitórias de amanhã.


O cego de Jericó viveu a glória de “perder” sua capa, para não sentir a tragédia de ganhar a morte estando ainda cego.Ganhar é uma tragédia quando está em jogo aquilo que não se deveria possuir. Perder é uma glória quando se trata daquilo que jamais se deveria obter.


Quando Jesus quis declarar que a tragédia de ganhar o mundo só pode ser evitada pelo desprezo à glória de ganhar o que ele oferece, Ele propôs uma questão, que nunca pode ser esquecida:“De que aproveitaria ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”?


Pr. Geziel Gomes