APOCALIPSE 5 (Parte 1)
O mundo parece um trem bala fora dos trilhos,
milhões de pessoas sumiram do mundo subitamente, as pessoas procuram saber o que
está acontecendo e os governos não possuem a mínima noção quem fez isso e como
aconteceu. Igrejas estão vazias, carros bateram desgovernados sem os seus motoristas,
mães gritam pelas ruas na procura dos seus filhos, as autoridades estão sem
direção, as forças armadas estão nas ruas impondo toque de recolher. O mundo
foi golpeado e não sabe sequer o que de fato aconteceu. Assim está o mundo
depois que a Igreja foi arrebatada. A grande indagação é: o que será daqui por
diante? Quais serão os próximos acontecimentos?
A maior pergunta que surge é esta: Onde está
Deus? É neste momento que João contempla uma gloriosa
visão nos céus:
“E vi na
destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por
fora, selado com sete selos.”
Apocalipse 5:1
Ap. 5.1: O livro está nas mãos de Deus
No capítulo 4, Deus mostra a João a sala do Trono,
de onde procede todo o comando do universo, de onde emana o poder e o domínio
sobre toda a criação. Uma das maiores certezas do apocalipse é a que Deus está
no trono. Ele reina sobre tudo e sobre todos, e nada fugirá do seu controle.
Por pior que pareça a situação, Ele está no comando. Depois dessa visão João se
depara com uma outra visão gloriosa: Um
livro selado com sete selos e escrito por dentro e por fora que estava na mão
direita de Deus. É o livro que contém o
destino da História da humanidade. O desenrolar dos próximos capítulos está neste
livro. O que os homens não entendem é que a História está nas mãos de Deus.
Segundo Friederic Hegel, os fatos históricos
são produto do instinto de evolução inato do homem, disciplinado pela razão.
Para Marx e Engels, a história é determinada pelos fatores econômicos numa
visão totalmente materialista. Mas,
na Bíblia a história não está nas mãos dos homens, quem determinou e escreveu a
História foi o próprio Deus através da sua vontade permissiva e efetiva. Toda a
história está sob o controle de Deus e terminará segundo a vontade de Deus. Não
são os poderosos deste mundo que determinam os rumos da história.
Para muitos a história não tem
uma meta, um objetivo. Sou historiador e consigo ver a mão interventora de Deus
no decorrer da história. Não importa a fúria dos ditadores, nem os regimes que
se levantem contra a Igreja, não importa quantos soldados se levantem para impedir
os seus propósitos, no final a soberana vontade de Deus prevalecerá. O livro
está escrito por dentro e por fora, apontando para algo pleno, tratava-se da
plenitude da revelação de Deus. Tudo está traçado, escrito e determinado. O
futuro está nas mãos do nosso Deus. Nada será surpresa para aquele que escreveu
e conhece a história antes de acontecer.
O número sete fala de perfeição
divina. Os sete selos lembra um testamento ou outro instrumento oficial romano,
que precisa ser selado por sete testemunhas.
Somente uma pessoa dotada de autoridade poderia quebrar estes selos, e se assim
o fizesse seria considerado o Senhor da História.
“E vi um
anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar
os seus selos?”
Apocalipse 5:2
Ap. 5.2 Quem é digno?
O livro está nas mãos de Deus que o planejou
e projetou além da Eternidade. Mas, quem é digno de executá-Lo? Ou mesmo de abrir e retirar o véu do
mistério acerca do futuro próximo? O conselho celestial se vê num empasse, pois
não há ninguém nem no céu e nem na terra digno de abrir o livro.
Observe o grande problema cósmico, “ninguém no céu”: Os anjos são seres
gloriosos e belos, dos quais Gabriel é um deles, mas não foram dignos. Miguel é
o chefe dos anjos, por isso chamado de arcanjo, mas também não fora digno de
abrir o livro. Os querubins e serafins são terríveis e gloriosos, estão diante
do Trono e adoram ao Senhor continuamente, mas não foram dignos de abrir o
livro. João ainda acrescenta: “Nem na
terra, nem debaixo da terra.”
Passaram vários homens por este mundo dotados
de inteligência e genialidades sem igual, outros foram poderosos, conquistaram
quase o mundo inteiro. Outros entraram na História pela sua bondade ou
generosidade, mas nenhum deles foi digno de abrir o livro, nem sequer de olhar
para ele.
Nem sábios e gênios como Albert Einstein ou
Aristóteles, nem poderosos como Alexandre o Grande, ou algum César de Roma, ou bondosos
e mansos como Madre Teresa ou Mahatma Gandhi eram capazes ou dignos de abrir o
livro. A humanidade não tem condições de executar o plano de Deus para ela
mesma, nem por seus próprios méritos ou poder. Diante de um cenário tão caótico
universal, João chora:
“E ninguém
no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para
ele.
E eu chorava
muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de
olhar para ele.”
Apocalipse 5:3,4
As grandes personalidades da
história nada podem, muito menos o diabo e seus demônios. Lopes diz que não
ideologia, nem partido político, nem sistema econômico que possa realizar os
sonhos do coração humano.
As propagandas eleitorais são produzidas de uma forma para alimentar a
esperança dos homens por um futuro melhor. As empresas de marketing lucram
milhões para seduzir a mente dos homens na esperança de que um candidato pode
mudar o cenário de caos que está o mundo. Mas, nenhum deles é capaz de sanar
com todos os problemas do seu próprio povo. Muito menos os da humanidade.
Sozinha, o destino da humanidade é o caos e
seu próprio aniquilamento. Atualmente, os países possuem um arsenal nuclear
capaz de destruir a terra 84 vezes. Os povos não se entendem, e as migrações aos
milhares de povos à Europa e outros lugares são prova desse desentendimento político
e social. Crianças estão morrendo de fome aos milhares, governos ditatoriais
atacam sua própria população indefesa, cristãos estão sendo massacrados pelos
radicais muçulmanos, a crise econômica aumenta o abismo entre os que tem muito
e os que tem muito pouco. A crise de João era a dor da impotência, de ver um
grande problema e não poder solucioná-lo. Assim me sinto quando vejo os homens
destruindo o seu próprio mundo, os corpos de indefesos espalhados pelo chão, os
cristãos sendo mortos das formas mais cruéis possíveis. A vontade é de chorar.
Deus, e agora? O que será da humanidade?
“E disse-me
um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi,
que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.”
Apocalipse 5:5
Ap. 5.5 Não chores!
Muitas vezes choramos pela nossa
impotência em resolver os nossos próprios problemas. Lutamos, batalhamos, se
esforçamos, mas não aparece nenhuma luz no fim do túnel, não parece haver
perspectiva de melhoras, de um futuro diferente. Neste momento de desespero e
dor, só conseguimos chorar. Choramos por que não conseguimos ver nada de bom em
nossa frente, nenhuma porta, nenhuma esperança, nem sequer uma janela. Choramos
quando vemos que não há mais saída, nem solução. As lágrimas vem quando tudo
parece perdido.
Machado de Assis disse que
lágrimas não são argumentos, mas elas chegam quando não há mais argumentos.
Nesses momentos de angústia inquietante alguém se aproxima de João e lhe diz
uma palavra consoladora: “Não chores!” Quando você estiver pensando que é o
fim, Deus enviará a palavra certa, no momento certo. Ele dará uma resposta à
quem está aflito. Ele mostrará que tem a solução para o que aparentemente não
tem solução. Da mesma forma como disse à viúva de Naim (Lucas 7.13), Ele repete
para você agora: Não chores!
Ap.5.6 O Cordeiro que também é Leão.
E olhei, e eis que estava no meio do trono e
dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido
morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus
enviados a toda a terra.
Apocalipse 5:6
Há alguém capaz de abrir o livro da história
e dar um sentido a ela. Há um ser suficientemente: Poderoso, porque é o Leão da
Tribo de Judá, para pegar o livro, digno, porque é da semente de Davi, para
abrir o livro, e vitorioso por que morreu e ressuscitou para executar o que
nele está escrito. Lopes afirma que Jesus só é o Leão, porque antes foi o
Cordeiro.
Deus preparou um Cordeiro. Só
é apresentado agora como o Messias vencedor por que antes foi o Messias
sofredor. Ninguém passou pelo que Jesus passou e saiu vencedor. Somente Ele foi
capaz de vencer o mundo, o pecado, o diabo e a morte. Ele tem a chave de Davi e
é o legítimo Rei descendente de Jessé. Ele só está no trono porque um dia
passou pela cruz. Não há vitória sem sacrifício. Não há um Leão que conquista
sem primeiro ser o Cordeiro que foi morto.
Observo tantos que almejam a
glória, mas rejeitam a cruz. Desejam o trono, mas não aceitam sacrifícios.
Querem o céu sem negar o mundo. Jesus está agora mostrando a todos nós que Ele
conquistou o que nenhum ser humano foi capaz de conquistar, por que conseguiu
fazer o que nenhum jamais conseguiu, cumprir cabalmente e plenamente a vontade
de Deus.
O cordeiro tem sete chifres, pois é chifre é
símbolo de força (Dt 33.17) e segundo Lopes aponta para a Onipotência de
Cristo. Também possui sete olhos, que falam sobre a Onisciência de Cristo, nada
escapa do olhar de Cristo.
E os sete espíritos enviados a toda a terra apontam para a Onipresença de
Cristo. Lopes ainda cita Warren Wiersbe que declara: “Nós temos aqui o perfeito
poder (sete chifres), a perfeita sabedoria (sete olhos), e a perfeita presença
(sete espíritos em toda a terra).”
Em Cristo temos a plenitude de
Deus (Cl 1.19): Onipotência, Onisciência e Onipresença. Atributos exclusivos e
incomunicáveis da divindade residem em Cristo. A divindade de Cristo é tema
crucial da nossa fé. Pilar da doutrina ortodoxa da Igreja, e aqui mais uma vez
ressaltada. Que possamos ter a mesma atitude de Tomé quando O viu e tocou nele
ressuscitado, exclamando: Senhor meu, e Deus meu! João 20:28.
Continua.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Bíblia de referência Thompson:
com versículos em cadeia temática; Antigo e Novo Testamento / compilado e redigido por Frank Charles
Thompson; tradução João Ferreira de Almeida. São Paulo: Editora Vida, 2007.
Comentário bíblico africano / editor geral Tokunboh Adeyemo. – São Paulo:
Mundo Cristão, 2010.
Comentário bíblico NVI: Antigo e
Novo Testamento / editor geral F. F. Bruce. São Paulo, SP.
Editora Vida, 2008.
LOPES, Hernandes Dias – Daniel:
um homem amado no céu. São Paulo, SP: Hagnos, 2005.
JEREMIAH, David. Antes que a
noite venha. Rio de Janeiro, RJ. CPAD, 2ª Ed, 2004.