“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no
partir do pão e nas orações.”
Atos 2:42
Antes de tudo
precisamos definir o que significa a palavra “doutrina”, visto que durante
muitos anos o povo evangélico cultivou um conceito errôneo da palavra doutrina.
Muitos ministros ensinavam usos e costumes humanos como se fossem doutrina,
deturpando o real significado da palavra. O termo “doutrina” deriva do latim Doctrina e se refere primariamente a um
conjunto de ensinamentos, os princípios fundamentais de uma crença. E ciente
disso podemos definir que a doutrina dos apóstolos se refere exatamente a este
conjunto de ensinamentos que distinguiam a igreja primitiva recém inaugurada do
judaísmo predominante. Era necessário que os apóstolos ditassem as novas normas
e regras de conduta e fé que os nazarenos, como assim eram chamados, pudessem
seguir.
Diante desta
assertiva podemos identificar um tronco doutrinário comum enfatizado pelos
apóstolos nos primeiros dias da Igreja de Cristo. Comparando com os dias atuais
percebe-se um distanciamento da igreja evangélica da verdadeira doutrina dos
apóstolos. Sem a sã doutrina uma igreja local pode facilmente se transformar em
uma seita, comprometendo gravemente a salvação pessoal dos fiéis.
Mas, quais
eram os pilares da doutrina apostólica? Quais os principais ensinamentos dos
líderes da Igreja que eram indubitavelmente guiados e inspirados pelo Espírito
Santo? São eles: A autoridade inquestionável das Escrituras; a divindade,
encarnação, morte e ressurreição de Cristo; a necessidade do arrependimento
para salvação do homem e a volta de Cristo.
A autoridade inquestionável das Escrituras:
Os apóstolos sempre abalizaram suas
mensagens nas Escrituras. Quando Pedro se dirigiu à multidão que interrogava
sobre a manifestação dos dons de línguas estranhas que a igreja falava após a
descida do Espírito Santo, ele começou a explicação pela Palavra de Deus. E
esse foi o padrão de todas as mensagens pregadas pelos apóstolos. A igreja de
Cristo está abalizada na Palavra de Deus e não nas experiências humanas ou
qualquer outro livro porque ela é:
a. A maior fonte da revelação de Deus para
a Humanidade. Sabemos que Deus se revela à humanidade através da
natureza, da história e na consciência humana. “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu
eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo
compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são
indesculpáveis;” Romanos 1:20. Sabemos também que Deus se revela de forma
especial de acordo com sua insondável vontade e sabedoria. E dentre as formas
d’Ele se revelar estão os milagres, as profecias, e as Escrituras. Sendo esta
última o pêndulo que comprova ou não os milagres e as profecias.
A
revelação da Palavra de Deus é superior aos milagres, pois o diabo também pode
realizar milagres: ele fez a serpente falar no meio do Jardim do Éden (Gn 3.4),
faz fogo descer do céu (Jó 1.16). E Satanás também pode prever o futuro com sua
sabedoria (I Sm 28.8-20). E sobre esta passagem polêmica podemos afirmar que se
trata de uma manifestação diabólica por alguns motivos: 1º Deus não permitiria
que um ímpio inquietasse o sono dos justos. 2º O espírito disse que mais tarde
Saul e seus filhos estariam com ele na morte. Saul cometeu suicídio, e sabemos
que assassinos não está com os justos após a morte. 3º Feitiçaria é pecado
abominável ao Senhor.
Portanto,
a Palavra de Deus é a maior revelação de Deus para os dias atuais e está acima
das profecias e dos milagres dos “profetas” que se levantam em nossos dias.
Existe um hábito de muitos em declarar por vontade própria: “Eu vou profetizar
agora” Isto é antibíblico, pois as Escrituras revelam que “... a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os
homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” 2 Pedro
1:21. As profecias precisam passar pelo crivo da Palavra de Deus. E muitos
estão se perdendo por dar mais créditos a essas “profecias” e “revelações”
místicas do que a própria Bíblia Sagrada.
b. A única fonte de regra, conduta e fé da
Igreja: Pois, somente ela possui genuinidade, credibilidade,
canonicidade e inspiração. “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e
proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;”
2 Timóteo 3:16. O livro de mórmon, o Livros dos Espíritos de Alan Kardec, os
escritos de Ellen Whitte, ou o Al corão não estão a pé de igualdade com a
Palavra de Deus. Ela é mais atual que o jornal de amanhã, escrita num período
de três mil anos, por cinqüenta escritores diferentes em quatro continentes,
cuja maioria não se conheceram entre si possui uma harmonia comparada a uma
grande orquestra comandada por um só maestro, o Espírito Santo, tocando a
sinfonia do amor de Deus pela humanidade e enaltecendo a Jesus Cristo como seu
início e fim!
c. A maior e mais poderosa fonte de
doutrina: Nenhum comentário bíblico, nenhum tratado de teologia, ou
escritos de doutores é mais poderoso do que a Palavra de Deus. “É nela que
encontramos os ensinamentos puros que regram a nossa caminhada cristã. Lâmpada
para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” Salmos 119:105. Se
algum ensinamento de quem quer que seja contrariar a Palavra de Deus deve ser
rechaçado e expulso de nosso meio. “Tu, porém, fala o que convém à sã
doutrina.” Tito 2:1.
d. A doutrina dos apóstolos não deve ser
confundida com a doutrina de homens:
Muitos confundem os usos e costumes humanos com a verdadeira doutrina dos apóstolos. A primeira se refere a dogmas culturais que variam de local, nacionalidade, regionalidades e época. A segunda é insubstituível e trata-se dos ensinamentos inegociáveis que fundamentam o cristianismo. Alguns líderes querem impor sobre a igreja sua forma de ver e pensar como se fossem doutrina bíblica. E muitas vezes se utilizam de trechos isolados e mal interpretados para abalizarem seus pensamentos. Questões como o que se deve comer, vestir ou usar são muitas vezes transformadas em jugo pesado que nem os próprios líderes conseguem carregar. A Bíblia se refere a esta questão da seguinte forma:
Já que vocês morreram com Cristo para os
princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda
pertencessem a ele, se submetem a regras:
"Não manuseie! " "Não prove!
" "Não toque! "?
Todas essas coisas estão destinadas a
perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.
Essas regras têm, de fato, aparência de
sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o
corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Colossenses
2:20-23 (NVI)
e.
Quem
pensar em negociá-la estará perdendo a própria salvação:
A igreja cristã europeia tem pago um alto preço por ter aberto mão dos seus princípios e da doutrina dos apóstolos com sua teologia liberal. Assim, belíssimos templos com séculos de existência tem se transformado em bares, restaurantes e até mesquitas. O NT traz duras verdades para que não cuida da dourina dos apóstolos: “Todo aquele que prevarica, e não persevera
na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo,
esse tem tanto ao Pai como ao Filho.”
2 João 1:9
É por isso que o apóstolo Paulo exorta ao seu filho na fé Timéteo a perserverar na doutrina: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina.
Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo
como aos que te ouvem." 1 Timóteo 4:16
f. A apostasia é sinal dos últimos dias: “Porque
virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos
ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;” (2 Timóteo 4:3) Precisamos, acima de tudo ter a mesma postura de Nabote para com sua vinha quando se trata deste pilar que sustenta toda a nossa Fé. Com a doutrina dos apóstolos nós não negociamos, vendemos ou trocamos. Temos que permanecer fiés até o fim.
Pr. Flávio Alves