quinta-feira, 21 de abril de 2016

REBULIÇO EM JERUSALÉM

REBULIÇO EM JERUSALÉM

E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.
Atos 2:2


Que texto belo e esplêndido é este! Todos estavam reunidos no mesmo lugar e de forma súbita foram cheios do Espírito Santo. Este é o capítulo mais conhecido por todos nós que somos pentecostais. Pois, trata-se da descida do Espírito Santo sobre a Igreja no dia de Pentecostes, em Jerusalém. Mas, imagine como foi a cena, uma multidão de discípulos orando e aguardando a descida do Espírito Santo naquele lugar. Eles não sabiam como era, sua forma, sua manifestação como seria, apenas agarravam-se fortemente à uma promessa: A promessa que iriam receber a virtude do Espírito Santo naqueles dias. 

Mas, vamos para uma simples análise exegética desse texto para extrairmos dele o que Deus deseja falar aos nossos corações:

Atos 2.1 E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar;

O dia de Pentecostes se refere à festividade de Israel comemorada exatamente cinquenta dias após a Páscoa. Daí o nome "pentecostes", que significa cinquenta. Neste dia completava-se também dez dias que Jesus havia ascendido aos céus diante dos olhos de mais de quinhentas pessoas no Monte das Oliveiras. Todos aguardavam ansiosamente Jesus cumprir com a sua promessa: "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.Atos 1.5".

O fato é que nenhum deles sabia como isso iria ocorrer. Na verdade, o próprio Espírito Santo era pouco conhecido pelos judeus. Ele descia algumas vezes sobre reis, juízes, sacerdotes e profetas. Nada estava claro. Mas, mesmo sem entender, eles queriam receber. Eles creram na promessa do Mestre e estavam pedindo a Jesus que O enviasse. A primeira verdade deve ser exposta aqui: Os discípulos não entendiam e nem sabiam como era o Espírito Santo, mas mesmo sem entender, eles queriam receber. Olha queridos, nós não somos chamados para entender o trabalhar de Deus. O Senhor nos chamou foi para crermos. Crermos naquilo que não vemos, que não compreendemos totalmente, mas receberemos fielmente. Não sei qual foi a promessa que o Mestre te fez, mas se você creu nela, mesmo sem entender como será que vai acontecer, você vai receber! A promessa vai se cumprir!

Atos 2:2 E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

"E de repente..." Esta expressão denota algo súbito, inesperado, surpreendente, é o que o texto original, no grego "aphno", significa. Eu consigo enxergar que, às vezes, quando Deus decide cumprir com suas promessas em nossas vidas, Ele as cumpre de forma "inesperada". Isto é, de forma surpreendente. Servimos a um Deus que é especialista em surpreender seus fiéis na terra. O cumprimento da promessa de Deus na sua vida pode ser "de repente!" Subitamente a notícia de um novo emprego pode chegar, de que mesmo sendo estéril você terá um filho, de que um parente seu finalmente se converteu a Cristo. De repente, você pode receber uma ligação informando a vitória de uma causa na justiça. Não duvide, sua vitória pode chegar "de repente!"

"veio do céu um som..." Tudo que é verdadeiramente bom, perfeito e eterno vem do céu. Vim do céu significa que vem de Deus. De algo superior, maior e melhor do que o nosso plano terreno e material. Tenho uma outra verdade de Deus para lhe entregar: Pare de esperar receber das pessoas o que somente Deus pode lhe dar. Pare de procurar na esfera horizontal o que só vai chegar de cima. Sua vitória não virá dos lados, do homem ou da parte de quem quer que seja. Mas, sim da parte daquele que está acima! Acima de tudo e de todos. Assentado no mais alto e sublime céu. Inacessível pelos meios humanos, mas alcançável pelos joelhos sinceros. Virá do céu a tua vitória e o cumprimento de todas as promessas divinas na sua vida!

Avivamento não é produzido por homens. Mas, é a consequência de uma igreja que busca a santidade para ver a glória de Deus. 

Atos 2:2 "...como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados." 

Um barulho forte como de uma ventania encheu o lugar. Não houve susto, mas um impacto de glória! Jesus estava inaugurando a sua Igreja com poder naquele dia festivo. A oração foi respondida. O impacto na vida daquelas pessoas mudariam as suas histórias para sempre. A chegada do Espírito transformou a Igreja reunida. Não houve um metro cúbico sequer daquele lugar que não fosse cheio pelo divino Espírito Santo. Eu já presenciei algo parecido na minha adolescência, o envolvimento é tão forte que a carne estremece diante de algo tão indizível. É mais forte do que a nuvem que invadiu o Templo quando Salomão inaugurou. Possivelmente, os discípulos estavam acuados por causa da perseguição. Deviam estar trancados e de portas bem fechadas. Mas, as paredes não puderam impedir a entrada do poderoso vento de Deus! Quando Deus quer agir, não há barreiras humanas ou físicas que impeçam!

Atos 2:3,4 "E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." 

A chegada com do Espírito Santo foi evidenciada imediatamente pelas línguas estrangeiras que cada um deles começaram a falar sem nunca antes tê-las aprendido. A mesma pomba que desceu sobre Jesus no rio Jordão, agora descia com fogo sobre os discípulos.

O barulho provocado por tantos crentes falando em línguas de uma só vez ecoou pelas ruas de Jerusalém. As multidões rapidamente se juntaram em volta do local para descobrir que rebuliço era aquele. E eles se surpreenderam. Aquele povo aparentemente indouto estava falando em idiomas estrangeiros de forma claro e audível das grandezas de Deus. Imagine a surpresa para um sírio ouvir no seu próprio idioma alguém pregando sobe o Deus que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos. Meus olhos se enchem de lágrimas ao perceber que o Espírito Santo estava capacitando aquele povo sem muita educação para pregar em várias nações! O rebuliço de Jerusalém em breve ia ser também em Roma, na Espanha, Alexandria, e até os confins da terra! 

O evangelho de Cristo não conhece barreiras! O poder do Espírito espalharia as chamas pentecostais em todas as nações da terra! E se cumpre o que o profeta Joel falou: "E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito." Joel 2:28,29

Clamemos ao Senhor por este avivamento,

invoquemos o seu nome e sejamos cheios do Espírito Santo para levar o Evangelho até aos confins da terra!

Pr. Flávio Alves

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A VIDA

A VIDA e a FELICIDADE

O que é viver? Respirar, comer, dormir, acordar, trabalhar...a vida é ação. Embora a maioria das nossas ações não sejam objetivamente em busca daquilo que tanto sonhamos. Permitimo-nos sermos empurrados pelo mundo afora. O consumismo e o capitalismo cujos anseios nos moldam, formata até nossos interesses mais profundos, minguando inclusive a vontade de ser feliz. O dinheiro que tanto buscamos deveria estar à serviço da nossa felicidade, mas ele transformou muitos em simples escravos. A avareza incentivada sutilmente, e ás vezes, abertamente pela sociedade não poupa caráter, família, amor, humanidade. 

Fugimos tanto da morte, se escondemos até do seu cheiro. E mesmo sabendo que caminhamos irremediavelmente para ela, não aprendemos aproveitar a todos os momentos da nossa vida. O que nos falta? Fugir do comodismo? Criar coragem e ir em busca do novo, do desconhecido, termos mais propósito ou objetivos? Não sei. Não acredito em destino. Acredito no sagrado livre-arbítrio que nos permite escolher o melhor caminho. Seja o da contemplação do mundo e do universo, ou seja o desejo de mais posses e poder. No final da vida, alguns devem ter em mente que ao encarar a morte, devemos dizer: "Já vivi o bastante. Eu fui feliz." E isso, nada material, nem fama, nem dinheiro, e nem posses pode, de fato, proporcionar. Pois, a felicidade não é apalpável, nem mensurável, é espiritual, é divina. Onde encontrar? É uma busca que somente um genuíno mapa do tesouro pode ajudar. Eu encontrei o verdadeiro, chama-se Bíblia Sagrada, a Eterna Palavra daquele que nos criou. 

A propósito, o Ser que nos criou, nos projetou para a felicidade. Mas, o seu opositor colocou alguns artifícios que se parecem ou desejam produzir o mesmo efeito que ela. Todas as suas imitações chama-se pecado. Embora prometa prazer imediato, alegria profunda, vida intensa, seu fim é a morte eterna. A prova disso é o vazio que se sente após provar suas ofertas. Nada pecaminoso traz felicidade real e eterna. São todas passageiras e ilusórias. Mas, onde encontramos a felicidade então?

O escritor sagrado certa vez registrou em Jó 42.14: "Então morreu Jó, velho e farto de dias." Insisto em acreditar que a expressão "farto de dias" se refere a dias bem vividos, trajetória de vida com muitas alegrias e plena felicidade. Este deve ser o nosso alvo e objetivo maior. Não é o dinheiro, ele é apenas uma ferramenta. Não é a fama, é apenas uma consequência. Não é o poder, é apenas a influência. Mas, o nosso objetivo-mor é a felicidade plena. E esta, só encontramos no Criador. 

Comece a ler o mapa da felicidade...tem dois mil anos de formada, mas continua levando milhões ao verdeiro e eterno tesouro.


Reflexões,

Pr. Flávio Alves

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A MENSAGEM DA CRUZ

A MENSAGEM DA CRUZ

A cruz de Cristo era o centro da pregação dos apóstolos e a maior missão de Cristo ao vim a este mundo. Jhon Stott afirmou que: “Se a cruz não for o centro da nossa religião, a nossa religião não é a de Jesus.” Não podemos nunca extingui-la dos nossos púlpitos, pois a Igreja cristã é identificada por ela, muitos morreram para anuncia-la, o sangue dos mártires não foi em vão. A mensagem da Cruz não pode morrer, pois:

I.                    Foi na cruz que Jesus Cristo fundou a sua Igreja quando exclamou: “Está consumado”. Jo 19.30. Neste momento, em que o sacerdote se fez o cordeiro, o sacrifício foi aceito, e se inaugura a Dispensação da graça de Deus, onde a Igreja goza de salvação plena em Deus através da Obra que Jesus realizou na cruz.
II.                  A maior Mensagem da Igreja: “Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã.” 1 Coríntios 1:17. Enquanto em muitos lugares a Palavra foi substituída por palavras de auto-ajuda, como Igreja Fiel, devemos mostrar na cruz a verdadeira ajuda do alto. Deus fez em Cristo por nós, o que nós mesmos não podíamos fazer.
III.                É a maior expressão da ira e da Justiça de Deus sobre o pecado. “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, ...” Romanos 8:32. A justiça de Deus foi satisfeita com o sacrifício de Jesus. “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53:5. “Se somos crentes em Jesus Cristo, já passamos pela tempestade do Juízo. Ela aconteceu na cruz”. (Billy Graham).
IV.                É, contudo, a maior expressão do amor de Deus. Deus amou a humanidade de uma forma tal que foi capaz de dar o próprio Filho em resgate dela. “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.” 1 João 4:19. As três pessoas mais importantes do Universo estavam "obcecados" pela ideia de ganhar os homens através de uma batalha silenciosa motivada unicamente pelo amor. É neste ponto onde entra o versículo áureo e mais importante da Bíblia: João 3. 16:
a.       PORQUE: A maior Explicação.
b.      DEUS: A maior pessoa.
c.       AMOU: O maior sentimento.
d.      O MUNDO: O maior projeto.
e.      DE UMA TAL MANEIRA: A maior intensidade.
f.        QUE DEU: A maior atitude.
g.       O SEU ÚNICO FILHO: O maior presente.
h.      PARA QUE TODO AQUELE: A maior abrangência.
i.         QUE NELE CRER: A maior fé.
j.        NÃO PEREÇA: O maior perigo.
k.       MAS, TENHA A VIDA ETERNA: A maior de todas as heranças!
V.                  Nela se fez o maior e único sacrifício perfeito:
a.       Pacto melhor: lei gravada no coração e não em tábuas de pedra. Hb 10.10
b.      Sacerdote melhor: Segundo a ordem de Melquisedeque. Hb 7.23.
c.       Tem poder maior: Porque foi com o sangue de Cristo e não de bodes, pois enquanto o de animais purifica a carne, o de Cristo purifica a consciência.
VI.                Foi nela que Cristo triunfou sobre as potestades: Colossenses 2.15. Quando Satanás pensava que venceria o Salvador na Cruz, foi nela que Cristo obteve a maior vitória!
VII.              Nela caiu o muro de separação entre judeus e gentios. Efésios 2.16.
VIII.            Por causa da cruz é que somos perseguidos. Gálatas 6.12. “A cruz de Cristo sempre será ofensiva para o homem natural” (John Blanchard). I Coríntios 1.18.
IX.                Nela Deus reconciliou consigo mesmo o mundo: E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. Colossenses 1.20
X.                  Na Cruz de Cristo nós podemos se gloriar: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” Gálatas 6:14

“A cruz é o último argumento de Deus.” C H Spurgeon.

Que o mundo ao olhar para a cruz reconheça o mesmo que o centurião: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.” Mc 15.39. Que a Igreja ao olhar para a cruz seja mais grata e fiel a Deus. E que todos os homens ao olhar para o sepulcro vazio perceba que a maior esperança do mundo saiu de lá. Nunca mais a morte foi invencível e temida. Na cruz e no sepulcro, Jesus Cristo matou a morte como sua própria morte. Glória, pois a Ele!


Pr. Flávio Alves

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

SALMOS 42



SALMOS 42 
Uma sede de Deus
Meditações e Reflexões

O livro dos Salmos é chamado no hebraico de "Tehilim" ou "Sophar Tehilim" que significa "Livro dos Louvores". É o hinário do povo de Deus, assim como é a Harpa Cristã para a Assembleia de Deus. É uma coletânea de cinco livros. Ele verbera sobre as mais profundas experiências e necessidades do coração humano de uma forma poética, exercendo atração forte a qualquer leitor. (Leia mais no post anterior Clique ). Os principais tipos de Salmos são os de louvor, júbilo, sabedoria, liturgia, lamentações e cânticos festivos.

O escritor do Salmo 42 não pôde ser identificado, nem a época que ele o escreveu, se antes, durante ou depois do cativeiro babilônico em 586 a.C. Mas, podemos entender que era um levita, que por algum motivo, provavelmente enfermidade, ele estava impossibilitado de subir ao Templo. Este salmo está inserido entre os salmos de lamentações. Ele e o Salmo 43 formavam uma unidade. Por isso o 43 não possui título, assim como o 71. Os versículos 5 e 11 do 42, e o versículo 5 do 43 são iguais porque são as estrofes do hino.

Possui uma estrutura semelhante a dos demais salmos de lamentações: Angústia, Afronta, Clamor, Libertação, Restauração/Livramento, Louvor/Agradecimento. Mas, nem todo salmo de lamentação termina com agradecimentos pelas vitórias, alguns poucos terminam com tom de desespero porque Deus não atende a todas as orações. E a resposta para isso está na Eterna Onisciência divina.

O que podemos afirmar acerca do autor, é que ele não se conforma apenas com uma vida religiosa farta. Para ele não adianta apenas "orar e ler a Bíblia", ele anela por algo mais.

Salmos 42:1: Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!

O cervo é um animal aparentemente dócil. Mas, é um animal veloz. Quando perseguido por algum caçador ou predador, ele procura as correntes das águas. Pois, na água ele encontra renovação para as suas forças. É uma corrida desesperada pela sobrevivência. O salmista fala de correntes de águas e não de poços, porque no verão os poços secam, mas as correntes não. O salmista tem sede de Deus, a sua vida depende dessas correntes de águas. Os poços de águas do mundo não podem renovar nossas forças, somente as correntes de águas que fluem da presença de Elohim podem nos dar forças para vencermos os inimigos. Você suspira pela presença de Deus?

Salmos 42:2:A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
Todo genuíno e sincero cristão sabe que a leitura da Palavra de Deus é fundamental para sua vida espiritual. A oração é um alimento diário, e a santidade é além da prática da Palavra, imprescindível. Contudo, nada substitui a presença imediata de Deus. É dela que emana a vida. Quantos são profundos conhecedores da Bíblia, mas sua vida espiritual está morta? Somente a experiência pessoal com Deus pode matar a sede da alma do ser humano. Não existe outra comparação melhor para a necessidade da presença de Deus para a vida do ser humano do que a sede. A ciência diz que quando sentimos sede é por que já perdemos 5% da água do nosso corpo. Temos mais água do que carne e ossos. Podemos viver dias sem comida, mas, não sem água. Água é vida. O salmista está dizendo para Deus: "Eu não quero vê-lo além do túmulo, eu preciso vê-lo agora!" Estudar a água não mata a sede, assim precisamos de Deus. E não é dos deuses mortos que o mundo adora, é do Deus vivo!

Salmos 42:3: As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?

As lágrimas e as zombarias. As lágrimas mais densas são as de tristeza profunda. O estado daquele homem fazia lhe pintar um quadro de abandono. Parecia que Deus o havia se ocultado dele. Quantas vezes em nossas vidas houve momentos que parecia que Deus estava escondido de nós? O mundo olha para o sofrimento que existe, paras as tragédias que acontecem, para as intempéries da vida e dizem: "Deus está morto", ou simplesmente zombam dizendo: "Onde está o teu Deus?" Quero dizer-lhe que o diretor só costuma se apresentar no final da peça.

Salmos 42:4:Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.

O salmista lembra-se de quando ia com a multidão louvando a Deus. Provavelmente ele era um levita, que dirigia os louvores. Mas, ele não estava se referindo a um ritual de adoração. Um culto externo, de aparências. Ele ia ao Templo para adorar com sua vida, e sua vida era adoração. Quão diferente dos nossos dias, em que nossos cultos se parecem com locais de encontro, clubes, desfiles de moda, ou baile de máscaras. Adoração não é abrir a boca para cantar apenas, é rasgar a alma para chamar a atenção de Deus. Não é demonstração externa de religiosidade, é quebrantamento interno.

O salmista lembra-se de momentos felizes na sua vida. O diabo é especialista em desenterrar o passado triste das pessoas. Pois, ele sabe que os fantasmas das tristes lembranças são os mais terríveis agentes da depressão e da dor. Pare de se lembrar de coisas ruins. Lembre-se de quantas vezes Deus te deu motivos para cantar!

Salmos 42:6: Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte.

O estado de amargura ou angústia nos fazem clamar a Deus com gritos de socorro, tal como a criança que chorava no deserto por água. Mas, o anjo apareceu a Hagar e mostrou uma fonte de águas, pois Deus ouviu o choro da criança (Gn 21.37). Não se desespere, Yahweh Roi é aquele que vê e ou ouve o clamor do seu povo. Desde os lugares mais belos e férteis, até os mais inóspitos, ou dos mais profundos vales aos mais altos montes, sempre devemos lembrar de Deus. O Senhor não pode ser esquecido nos momentos felizes, já que sempre é lembrado nos momentos de dor.

Salmos 42.7: Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.

O escritor agora compara a sua vida como uma encosta à beira de um rio, que pela força das suas ondas vai desmoronando e abismos vão se alargando a cada ímpeto de sua força. Ele se sente atacado e combatido por correntes pesadas de águas. Suas forças estão se desmoronando. Ele tenta argumentar com Deus que sua alma está se desmoronando. Ele precisa de socorro e de ajuda. Não podemos economizar palavras ao orarmos. Devemos imitar o salmista ao escancarar os porões de seus sentimentos no altar da oração. Diante dele devemos abrir e escancarar a nossa alma e o nosso ser, nada deve se esconder em nenhum recôndito. Seja sincero em suas orações (Sl 25.1).

Salmos 42.8: O Senhor mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida.

As infinitas misericórdias de Deus que se renovam a cada manhã são a causa de não sermos consumidos (Lm 3.22). Misericórdia é lançar o coração na miséria do outro e estar pronto em qualquer tempo para aliviar a sua dor. A palavra hebraica para misericórdia é chesed: “é a capacidade de entrar em outra pessoa até que praticamente podemos ver com os seus olhos, pensar com sua mente e sentir com o seu coração. É mais do que sentir piedade por alguém (Barclay, Mateus p. 112). Deus que é riquíssimo em misericórdia (Ef 2.4) penetra até as nossas dores e necessidades, e é por isso que cuida de cada um de nós. Diante da graça manifesta na misericórdia, Ele nos enche de gratidão, e mesmo nas noites com as mais densas trevas podemos orar em forma de canção que "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã..." (Sl 30.5). Confie nas misericórdias de Deus e poderás suportar as noites como Paulo e Silas, orando e cantando hinos de adoração a Deus. Aleluia!!

Salmos 42.9: Direi a Deus, minha rocha: Porque te esqueceste de mim? Porque ando lamentando por causa da opressão do inimigo?

Mas, a dor ainda persiste no salmista, e ele se volta para Deus. Quando leio este versículo, me lembro do nobre José. Este notável jovem que sofreu duros golpes desde o dia que recebeu sonhos que revelavam seu brilhante futuro. No entanto, estava numa cela escura, numa prisão acusado injustamente. Esquecido pelo copeiro de faraó, nos duros anos que passou ali poderia clamar como este salmista: "Porque te esqueceste de mim?" Antes de sermos "lembrados" por Deus é necessário enfrentarmos a solidão insólita nos desertos do esquecimento. Somente aqueles que foram esquecidos é que poderão de fato valorizar a posição e os presentes que Deus lhe concederá. Deus não se esqueceu de você. A preparação de Deus sempre inclui o esquecimento, a solidão, seja na caverna de Adulão ou no ribeiro de Querite, mas contudo, sempre a provisão de Deus estará presente. Até um caco de telha é sinal que Ele não deixa seus filhos desamparados!

Salmos 42.10: Com ferida mortal em meus ossos me afrontam meus inimigos, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?

Quando Herodes matou a Thiago e pretendia fazer o mesmo com Pedro, poderiam perguntar: Onde está o teu Deus? Eu responderia: Preparando os vermes para devorar o orgulhoso rei e provar que toda glória pertence a Ele. Quando Estevão estava sendo apedrejado por raivosos radicais judeus, alguém poderia perguntar: Onde está o teu Deus? Eu responderia: Assentado num alto e sublime trono e se pondo de pé para receber o primeiro herói da sua Igreja. Quando os cristãos eram massacrados e mortos nas arenas romanas, poderiam perguntar: Onde está o teu Deus? Eu responderia: Está implodindo os corações de Roma, e fazendo a cruz vencer a espada para breve fazer até o imperador se curvar diante dela. Enquanto o mundo atual desaba numa decadência moral e espiritual, e a Igreja está sendo mais perseguida dos que nos seus dias primitivos, poderiam perguntar: Onde está o teu Deus? Eu responderia: Está dando ordem ao arcanjo para segurar a trombeta que em breve irá tocar e todos os mortos ouvirão a voz daquele que vive! Aleluia! Enquanto o mundo pergunta: Onde está o teu Deus? A Igreja nunca esteve tão convicta de onde Ele está: Está às portas, prestes a se revelar e todo o olho O verá, com poder e glória, e então diremos: Eis aí está o nosso Deus! Forte, poderoso e tremendo! Aleluia!!!

Salmos 42.5,11: Por que estás abatida, ó minha alma, e porque te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda O louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.

Esperar não é fácil, mas é necessário.Tudo o que é bom requer espera. O salmista consegue sair de si imaginariamente e dizer para si próprio estas palavras. Não é um ato de loucura. É reflexão. É muito fácil pronunciarmos palavras boas para os outros. Mas, quando o problema está conosco não produzimos fé suficiente para acreditarmos naquilo que falamos. Deus deseja que você produza uma fé capaz de profetizar, proferir uma palavra de ânimo e esperança para si mesmo em momentos de dor e de angústia. Seja forte e se levante do pó. Não se renda, seja amigo de você mesmo e se reanime, diga para sua própria alma: "Espera mais um pouco! Você ainda vai louvar a Ele pelas vitória que Ele te dará." Seja um profeta de Deus para sua própria vida.

Pr. Flávio Alves



REBECA E ASENATE, AS DUAS FACES DE UMA MESMA IGREJA

REBECA e ASENATE, AS DUAS FACES DE UMA MESMA IGREJA

Em gênesis 24 encontramos a bela história do casamento que foi projetado nos céus. Abraão envia seu servo Eliezer para encontrar, preparar e trazer uma esposa para seu filho Isaque. Mesmo sem nunca ver Isaque, mas recebendo os presentes das mãos de Eliezer, Rebeca aceita o convite do servo fiel e parte ao encontro do seu noivo. Rm 15.8 nos diz que "tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito..." Mais adiante, o escritor aos Hebreus nos ensina que as coisas do Antigo Testamento são como sombras das coisas do Novo Testamento. Esta passagem sobre Abraão, Isaque, Eliezer e Rebeca exemplificam uma das facetas da Igreja de Cristo.

Assim como Rebeca decidiu aceitar o convite de Eliezer para se encontrar com Isaque e se tornar co-herdeira de tudo o que era de seu pai, assim a Igreja de Cristo se torna a co-herdeira de Filho de Deus quando aceita o convite do Espírito Santo. Eliezer só podia provar a existência de Isaque e de Abraão através dos muitos presentes que lhe apresentou, mesmo assim ela creu e partiu. O maravilhoso Espírito concede dons à Igreja como prova das coisas que estão por vir (Hb 2.4;Sl 68.18). Esta por sua vez, tomou a decisão de segui-lo e seguir ao encontro do noivo que nunca viu, isto é um ato de (Rm 10.17). Nós cremos na Palavra pregada, tomamos a decisão de seguir ao Espírito Santo, recebemos os seus dons, e um dia se encontraremos com o noivo e Ele nos levará à presença de seu Pai.

Asenate foi a esposa egípcia que Faraó deu a José. Este jovem cuja história se assemelha a de Cristo tornou-se o salvador do mundo e agora precisava de uma esposa. José representa Jesus por vários motivos, ei-los aqui:

1. José foi amado pelo pai (Gn 37.3) e Jesus também o foi (Mt 3.17).
2. José foi odiado pelos seus irmãos (ver.4) e Jesus também (Jo 15.24).
3. José foi enviado pelo pai numa importante missão (vers.13-24) e Jesus também (I Jo 4.14).
4. José foi traido e vendido pela sua família (ver.28), Jesus foi traído e vendido pelo seu povo (Mt 26.14,15).
5. José foi tentado e venceu (Gn 39), Jesus também (Mt 4.1-11).
6. José foi preso entre dois criminosos, um salvo outro condenado(Gn 40), Jesus foi preso e crucificado ao lado de dois criminosos, um condenado, mas o outro se salvou (Lc 23.32,33).
7. A tribulação obrigou os irmãos de José a procurá-lo (Gn 42), a Grande Tribulação vai obrigar os judeus que venderam e traíram Jesus a procurá-Lo naquele grande dia ( Mt 24.21;Zc 12.10; Is 26.16).
8. Por meio dele vieram reconciliação e benção sobre os irmãos(Gn 45-46), através de Cristo os judeus serão reconciliados com Deus e serão abençoados por Ele (Is 11,12 e 35).
9. Todos os povos da terra foram abençoados por causa dele (Gn 41.57; Is 2.2-4;11.10).

Sempre me surpreendo como a Bíblia é bela, perfeita e harmoniosa. Não foi à toa que tantos capítulos da Bíblia foram dedicados a José. Ele aponta para o José perfeito e Salvador do mundo que é e será o Senhor Jesus Cristo. Louvado seja o Senhor que nos faz perceber tamanha semelhança.

Asenate foi a esposa dada a José de maneira deliberada. Assim também, a Igreja de Cristo foi eleita e de maneira deliberada, pela vontade soberana do Rei de todo o Universo para ser a esposa do Salvador do mundo. Enquanto Rebeca aponta para decisão e a para a salvação que precisamos ter para sermos Igreja (Ef 2.8), Asenate aponta para a única fonte e razão da nossa salvação: a eleição direta do próprio Deus (Cl 3.12; Tt 1.1;I Ts 1.4; I Pe 2.9). Precisamos de fé para crermos que Cristo já fez tudo por nós na cruz do Calvário, e nosso trabalho hoje é aceitarmos o fato que já fomos aceitos por Deus.

Veja amados, como a Bíblia é bela e profunda. Que Deus possa nos iluminar mais para extrairmos as mais límpidas e pura água desse poço sem fim que é a Palavra de Deus.

Pr. Flávio Alves

Bibliografia: MELO, Joel Leitão de, 1909. Sombras, tipos e mistério da Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD, 1989.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Os dois caminhos e os dois destinos - Salmo 1º


SALMOS 1

Sobre o livro

Coletânea de cinco livros. O nome deriva do grego: Psalm, e indica um cântico para ser acompanhado com instrumento de cordas, como harpa. E no hebraico: Sophar Tehillim, que significa: Livro dos louvores. É a hinário de Israel e o livro vetero-testamentário mais citado no Novo Testamento. Ele verbera sobre as mais profundas experiências e necessidades do coração humano de uma forma poética, exercendo atração forte a qualquer leitor. Ao contrário do que a maioria dos leitores pensam, os Salmos não foram escritos unicamente por Davi, mas homens como Moisés, os filhos de Coré, entre outros tantos, inclusive anônimos, prefiguram como escritores sagrados. Os principais tipos de Salmos são os de louvor, júbilo, sabedoria, liturgia, imprecações sobre os inimigos, salmos reais, triunfo, e cânticos festivos. O salmos 1º apresenta os dois caminhos e os dois destinos que o homem pode escolher.

Introdução ao Capítulo

O Salmos 1º é mais que uma introdução ao Livro inteiro, começa com a primeira letra do alfabeto hebraico e termina com a última letra, isto para mostrar que Deus é o Alfa e Ômega. Este capítulo é uma placa para quem viaja pela vida, mostrando os perigos e os benefícios de seguir o caminho do justo ou o caminho do ímpio. O destino do homem é traçado na escolha do caminho que ele decidiu para caminhar na vida. Este é um Salmo de sabedoria, e quão bem-aventurados são os que meditam nessas palavras! Deus não deixa o homem sem direção, Ele mostra o fim de cada um dos caminhos que o homem escolher.Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos. Salmos 32:8

Salmos 1:1: Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.

O homem feliz é aquele é justo. E, segundo esta sentença, existem três coisas que o justo não faz:
a.       Não anda segundo o conselho dos ímpios: A Bíblia nos apresenta vários exemplos de como pode ser trágico andar pelo conselho de pessoas ímpias, isto é, não-fiéis. Amon, filho de Davi, seguiu o conselho de seu amigo Jonadabe, e estuprou sua meia-irmã, Tamar, trazendo desgraça e desestruturando totalmente a família de Davi (II Sm 13.1-20); Roboão, sucessor de Salomão, não quis seguir o conselho dos mais velhos, mas pelo dos seus amigos mais novos, e aumentou sobre o povo altos impostos provocando a divisão do Reino em dois, e nunca mais se reuniram (I Rs 12.1-20).
b.      Ele não imita o caminho dos ímpios e nem é companheiro deles: O mundo impõe sobre a Igreja, constantemente, suas formas e estilos de viver totalmente distantes dos padrões morais de Deus. O cristão precisa entender que não seremos jamais Igreja (eklésia) de Cristo imitando os padrões e valores do mundo. Não é o cristão que deve imitar o mundo, mas o mundo que deve ver em nós o modelo a seguir.
c.       Ele não se assenta junto a zombadores: Nenhum homem bom anda em companhia de pessoas más. Ele não anda, não fica, e nem se assenta junto àqueles que abominam a Palavra de Deus, isto é, que são ímpios (infiéis), pecadores e zombadores das coisas de Deus! Ai dos que zombam de Deus e de seu povo, pois as ursas que dilaceraram quarenta e dois rapazes que zombaram de Eliseu, ainda estão à disposição de um Deus que também é juiz! (II Rs 2.24).

Salmos 1:2: Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.
Os justos não ficam ociosos nos mexericos e fofocas, ou zombarias, pois estão ocupados em meditar na Lei do Senhor. O justo não imita e nem anda na companhia dos ímpios, mas tem prazer em estar na meditação da Palavra de Deus. A palavra meditar denota a leitura em voz baixa, do leitor para consigo mesmo, usando e aplicando o seu intelecto em compreender a Lei do Senhor. E isso para ele não é um fardo, é um prazer. O cristão não vive apenas de experiências sobrenaturais com Deus, mas também de se ocupar em estudar as Escrituras, este para ele, é um trabalho prazeroso. O sucesso de Josué seria apenas a consequência dessa meditação (Js 1.1-9). A meditação é a forma mais eficaz para interiorizar o que se lê, enraizando a Palavra dentro do seu próprio coração através do intelecto. Não basta apenas ler, é necessário refletir nela para encontrar direção, instrução e conselho.

Salmos 1:3: Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
O justo é comparado à uma árvore que está plantada próximo à ribeiros de águas, e estas águas são a Palavra de Deus. É desse ribeiro que se alimenta a árvore e ele o segredo da sua vida e vigor. Enquanto as demais árvores poderão murchar, secar e morrer por estar distante dessas correntes de águas, aquele que se alimenta da Palavra não seca, não murcha e nem morre. Mas, é frutífero, isto é, produz alguma coisa, e por isso é útil. Está cumprindo o seu propósito para a qual foi criada. O justo possui folhas verdes e belas por que está regada pela Palavra de Deus. É firme e suas folhas não caem por qualquer ventania. E, por último, tudo o que faz prospera! Observe que esta prosperidade não é uma prosperidade passiva, onde a pessoa apenas recebe a prosperidade de Deus, é uma parceria onde todo o trabalho do justo é bem sucedido garantido pela própria Palavra de Deus.

Salmos 1:4: Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.
Mas, o infiel não possui o mesmo destino. Os ímpios murcham, secam e suas folhas caem levadas pelos ventos. Aqueles que não obedecem à Palavra de Deus possui este destino vazio e inútil. O vento são as adversidades da vida, e que muitas vezes são enviadas por Deus como forma de julgamento. Enquanto o justo resiste firme, o ímpio é levado por ela. O sopro de Deus mostra que as obras dos ímpios são secas e ocas! Nulas, vazias e inúteis! Quem resiste ao hálito do Senhor?

Observo as obras dos homens no mundo, todos tentando mostrar sua grandeza, fama, riqueza e poder. Mas, nada disso se aproveitará. Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Malaquias 4:1

Salmos 1:5: Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justo.
Segundo o Ph.D. R.N. Champlin, o juízo neste versículo não se refere à apenas o juízo além-túmulo. Mas, afirma que tanto física quanto espiritualmente, o final do ímpio é trágico e nefasto. Os ímpios não podem suportar tanto nesta vida quanto na próxima os juízos de Deus. A Bíblia mostra vários exemplos de como os ímpios podem receber os juízos de Deus nesta vida: Hamã, primeiro-ministro do rei Assuero sofreu derrotas após derrotas até ser enforcado na forca que ele mesmo preparou (Es 7.10). Mas, o juízo também será exercido na própria congregação dos justos, lembre-se de Hofni e Finéias, filhos do sacerdote Eli, que tanto fizeram Israel pecar diante de Deus e atraíram a ira de Deus sobre eles (I Sm 4.11). O Senhor não permitirá que os ímpios se escondam por muito tempo no meio dos justos.

Salmos 1:6: Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.
Aquele que vê o homem pelo interior antes do exterior, conhece bem o caráter do ser humano. Ele sabe quem são os justos de verdade, e aqueles que fingem que são, mas não são. Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações. (Jr 17:10). A alegria do crente é que Deus conhece sua vida e sua procedência. Ele sabe quem são os seus, mas os ímpios perecerão.

O propósito maior deste Salmo é apresentar os dois destinos que o homem pode ter. Ele exorta ao leitor tomar uma postura. O texto mostra de forma sapiencial o caminho da vida, da prosperidade e da aprovação de Deus. Apresenta o veredito sobre o fim daqueles que são infiéis, vivem na prática do pecado e zombam das coisas de Deus. Exposto tudo isso, resta uma pergunta: Qual caminho você escolherá?


Pr. Flávio Alves


CHAMPLIN, R.N.Comentário O Antigo Testamento,  Editora Hagnos. Vol. 4, 2ª Edição, 2001.
ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano, Editora Mundo Cristão, 2ª Edição, 2010.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Enlaçados pelo maravilhoso amor de Deus

Enlaçados pelo Maravilhoso Amor de Deus
Pr. Flávio Alves – Olinda, 27 de dezembro de 2014.

Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor;
Oséias 11.4

Nos dias atuais a infidelidade conjugal tornou-se comum. Na sociedade brasileira, o adultério deixou de ser crime. Milhões de pessoas sofrem todos os dias na amarga experiência de uma traição ou de um amor não-correspondido. A dor de ser trocado, traído ou abandonado pela pessoa amada tem deixado a vida de muitos mais triste e desesperadora. E sobre este sentimento que fala o livro do profeta Oséias.

O ser humano é um ser sentimental, e foi este sentimento amargo como fel que o profeta Oséias teve que vivenciar. Particularmente, eu sempre desejei pregar sobre este livro tão pouco lido, pouco falado, pouco conhecido. Mas, quando me pus à lê-lo e estuda-lo jamais imaginava o quão belo e profundo é o livro de Oséias. Sem dúvida, se podemos chamar João de “O Apóstolo do Amor”, podemos chamar Oséias de “O Profeta do Amor”, pois ninguém no Antigo Testamento mostrou tanto o palpitar do coração amoroso de Deus pelo seu povo como ele.

O nome Oséias equivale ao nome de Josué e Jesus em hebraico, e significa “Jeová salva”. Mas, esta realidade só viria a se cumprir depois de um duro juízo de Deus sobre o povo de Israel. Na época de Oséias e de Amós, o povo estava dividido em dois reinos, o do norte, chamado Israel, e o do Sul, que se chamava Judá. Enquanto Judá teve vários reis que temeram a Deus e buscaram a verdadeira religião de Yahweh, os reis do Norte sempre foram infiéis e idólatras. Quando Oséias começou a profetizar, Jeroboão II estava trono e havia muita prosperidade, mas quando ele faleceu, o período de prosperidade e riqueza estava terminando. Mas, ao invés do povo voltar-se para o verdadeiro Deus, continuaram adorando a falsos deuses.

As elites israelitas fizeram alianças políticas com o Egito e a Assíria, sua confiança estava nessas nações, mas elas se tornariam depois nos seus maiores opressores. Não se voltaram para Deus, preferiram confiar no homem e nos seus falsos deuses. A vida moral do povo também ia de mal a pior, e o só prevalecia o mentir, o roubar, o adulterar. Não havia verdade, amor, e nem conhecimento de Deus em Israel (Os 4.1). Foi nesse contexto triste e trágico que Deus levanta Oséias, o primeiro profeta da graça e o primeiro evangelista de Israel para falar não apenas aos ouvidos, mas aos olhos do povo.

Enquanto Oséias falava as palavras de Deus ao povo, ele mesmo as vivenciava. As palavras que ecoavam dos lábios do profeta soavam com mais força porque ele mesmo as sentia na sua vida pessoal. Nenhum profeta da Bíblia tem sua vida pessoal tão exposta como Oséias. Deus ordenou ao profeta que se casasse com uma mulher prostituta e adúltera chamada Gômer. Com ela o profeta se casou e a amou, assim como o Senhor amou a Israel. Porém, dentro dela estava um mal que a atraía ao adultério. Mesmo com o amor de seu marido Oséias, ela procurava outros homens.

Com ela Oséias teve Jezreel, para simbolizar o castigo que estava por vir; uma filha chamada Desfavorecida, para simbolizar que Deus não iria mais conceder seu favor ao povo, e um filho, que colocou o nome de Não-meu-povo, pois Israel não era mais povo de Deus, e nem Jeová o seu Deus. Esses nomes estranhos falavam ao povo a mensagem que Oséias recebera de Deus. Israel havia pecado tanto que o castigo estava por vir, mesmo a prosperidade que eles gozavam não significava a aprovação divina. Uma verdade que os adeptos da teologia da prosperidade não podem digerir. Pois, riquezas, dinheiro e prosperidade não são sinais da benção de Deus e nem tampouco da aprovação divina.

É possível alguém prosperar financeiramente e mesmo assim ser condenada ao inferno. Mas, a benção de Deus é diferente, ela não acrescenta dores e nem está nas riquezas, ela está sobre aqueles que fazem a boa e agradável vontade de Deus. É possível ter pouco e ser próspero e ter muito e não ser próspero.

A mensagem de Oséias não foi bem recebida e ele foi hostilizado. Assim acontece com todo verdadeiro profeta de Deus. Somos chamados para confrontar o povo com verdades muitas vezes inconvenientes, mas tão contundentes quanto necessárias. Não somos chamados para agradar as pessoas que vivem em pecados e ainda assim querem ser abençoadas por Deus. Fomos chamados para sermos fiéis à mensagem que mesmo sendo duras e perfurantes, são verdade e vida!

A infidelidade da esposa de Oséias fez com que ela abandonasse sua própria casa e família. Assim o diabo age para destruir, ele divide primeiro, afasta as pessoas daquelas que lhe amam de verdade, assim como aconteceu com o filho pródigo que saiu da casa de seu pai. Ela abandonou Oséias e foi á procura da felicidade possivelmente nas riquezas que algum homem pudesse lhe oferecer. Assim também Israel apostatou da verdadeira fé em Deus e foi em busca de outros deuses.

Imagine o coração do profeta ao sentir que o amor que ele tratava sua esposa não lhe fora suficiente para impedir que ela saísse de casa. Imagine a dor que ele estava sentindo ao ser trocado. Agora imagine a dor que sentia o coração de Deus ao ser trocado por estátuas de barro e pedra! Mesmo recebendo o amor e os cuidados de Deus o povo adorava a outros deuses. O Senhor chega a declarar: “Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa. Os 6.4 b”.

Fazendo um paralelo com a parábola do filho pródigo percebemos que mesmo tendo o amor, a proteção e os cuidados do seu pai, o jovem gastador preferiu o mundo e os seus prazeres. E quantos que deixam a casa de Deus onde há o amor e os cuidados de Deus por nós por um mundo traiçoeiro. Será que o amor de Deus não lhes é suficiente?

O livro ainda afirma que ela foi viver dissolutamente no mundo e acabou como escrava. Assim acontece com todos aqueles que abandonam o amor de Deus pelo mundo. Acabam descobrindo que tudo no mundo é belo e bonito, mas não há amor verdadeiro, só ilusão e escravidão. Quantas lágrimas aquela mulher infiel deve ter chorado! Quanto ela deve ter se lembrado do amor de Oséias, seu verdadeiro marido.
Mas, quando aquela mulher estava no meio dos escravos sendo vendida como um objeto, ninguém a valorizou. Saiu para viver no luxo e acabou no lixo. Estava jogada ao chão e acorrentada, coberta de vergonha e arrependimento. Mas, enquanto poucos davam míseros lances por ela, alguém no meio da multidão gritou: “Eu dou quinze peças de prata!” Quem iria pagar tão caro por uma mulher que valia tão pouco? Quem iria dar tanto por quem não merecia nada? Somente alguém que a amava com amor incondicional. Somente seu verdadeiro marido, o profeta Oséias. Eu imagino ele pagando por ela com tudo o que possuía e a levando nos braços para a sua casa. Imagino ele curando as feridas da sua pele enquanto ela chorava. Imagino ela perguntando a ele: “Porquê? Porquê você faz tudo isso por mim se eu não mereço? ” E ele responde: “Porquê assim como o Senhor ama seu povo Israel com amor incondicional, eu também amo você.” Oh! Maravilhoso amor! Oh grandioso amor é o amor de Deus por nós!

O capítulo 11 de Oséias explica um pouco a natureza desse amor. Primeiro ele mostra que o motivo desse amor não está no próprio Israel, mas no próprio Deus. Deus não nos ama porque somos, merecemos ou fazemos alguma coisa. Na verdade, não há nada em nós digno desse amor. Na verdade, enquanto eu digito essas palavras meu coração estremece, e meus olhos se enchem de lágrimas, por que nenhum de nós possui um amor assim. Ele verdadeiramente nos ama!
Agora podemos entender porque Efésios 3.19 afirma que “o amor de Cristo” excede todo entendimento. João afirmou que nós o amamos porque Ele nos amou primeiro (I Jo4.19). Paulo em Romanos afirma que “Deus prova seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Rm 8.8” Jesus pagou as quinze peças de prata para nos resgatar. Ele deu tudo o que tinha para nos trazer de volta para seus braços movido pelo seu amor incondicional.

Segundo, o amor de Deus está na escolha e no chamado de Deus: “Quando Israel era menino, eu o amei; Os 11.1”. Não somos e nem possuímos nada que corresponda ao amor de Deus por nós, mas Ele decidiu nos escolher para amar. Somos alvos do amor soberano de Deus desde a eternidade.
Terceiro, o amor de Deus é o amor que liberta: “... e do Egito chamei o meu filho. Os 11.1”. Deus amou Israel e por isso o libertou da escravidão egípcia, da opressão do inimigo. Ele nos amou e por isso nos libertou da opressão do pecado. Não somos mais escravos, as algemas e grilhões da morte foram despedaçados pelo poder do sangue do cordeiro que desceu pela cruz de Cristo.

Em quarto lugar, o amor incondicional é o amor que protege e cuida: “Todavia, eu ensinei a andar Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinavam que eu os curava. Os 11.3” O Deus que liberta da escravidão é o mesmo que cuida e protege o seu povo pelo deserto. Deus alimentou o seu povo, cuidou de suas roupas e calçados, protegeu dos inimigos e alimentou. Esse é o amor de Deus que cuida do seu povo e provê o que ele precisa.

Em último lugar, o amor de Deus por nós é como laços de amor: “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor. Os 11.4”. Deus deseja aproximação, comunhão, vida plena com ele, intimidade. Ele não deseja que ninguém fique á força na sua Casa, mas pelas cordas do seu amor. Devemos estar tão presos a este amor que nada no mundo nos atrairá! Devemos amá-lo tanto porque Ele nos amou que nenhuma oferta que o mundo apresente nos afastará dele. Quero ser amarrado da cabeça aos pés ao amor incondicional de Deus, porque somente Deus nos ama de verdade. Oh! Que maravilhoso é o amor de Deus!

No amor de Cristo,

Pr. Flávio Alves