domingo, 4 de abril de 2021

ELE ESTÁ VIVO

Ele está vivo!

  


     A ressurreição de Cristo é a pedra fundamental da arquitetura de Deus, é o coroamento do sistema bíblico, o milagre dos milagres. A ressurreição salva do escárnio a crucificação e imprime à cruz glória indizível.[1]

“Vimos o Senhor”, esta foi a expressão alegre que os discípulos falaram a Tomé no domingo de páscoa após terem visto Jesus ressuscitado. Mas, como pode um homem que foi traspassado por uma lança, teve suas mãos e pés perfurados, sofreu flagelos inimagináveis e dor imensurável, comprovadamente morto, voltar a viver depois de três dias? Tomé, homem apegado à matéria, ao mundo palpável, ao que somente pode ser provado e experimentado disse: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.” João 20:25. Ele queria provas.

            O mundo que vivemos está cada vez mais incrédulo. Os charlatões, os falsos milagreiros, os hipócritas amantes do dinheiro são os maiores culpados dos homens estarem cada vez mais céticos em relação ao sobrenatural. Mas, estes não são os únicos motivos. A humanidade se distancia cada vez mais de Deus, e a incredulidade é confortável para encobrir suas vidas pecaminosas e reprováveis (II Tm 3.1). É o curso natural de uma humanidade decadente moral e espiritualmente. Contudo, resta-nos uma pergunta: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” Lucas 18:8.

            A resposta é que ainda há um povo que crê num Jesus que venceu a morte e continua vivo. A nossa fé está fundamentada na ressurreição de Cristo. Crermos que Jesus ressuscitou é imprescindível para a nossa salvação: “... e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” Romanos 10:9. Esta doutrina é tão importante para nossas vidas que desejo trazer-lhes aqui alguns dos principais motivos pelos quais podemos explicar porque e para que Jesus ressuscitou.

É pedra fundamental de toda a nossa fé

Em I Co 15.12-19, o apóstolo Paulo explica que se Cristo não ressuscitou: 

a) A pregação apostólica é nula (v.14). Isto é, não há sentido, propósito ou significado pregar sobre alguém que está morto. Os apóstolos deram as suas vidas pregando sobre alguém que estava morto, e mais, perderam família, bens, status e poder para dedicarem suas vidas à pregação de algo sem fundamentos ou sentido. Qual a razão para defender um falso messias? Não seria mais confortável esquecê-lo do que serem perseguidos até os confins da terra por um falso profeta?

b) A fé dos crentes é vã (v.14). De fato, qual o sentido de renunciar tudo por uma mentira? Qual o sentido teria as palavras de Jesus: “quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.” (Mateus 16:25). Ou mesmo “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;” (João 11:25). Toda a nossa fé nas palavras de Jesus seriam tolas e perderiam o efeito.

c) Os apóstolos morreram como falsas testemunhas (v.15). Acredito que alguém seja capaz de morrer defendendo uma mentira. Mas, afirmar que todos os discípulos de Jesus resistiram à tortura, açoites, fome, frio, e deram a própria vida para defender uma mentira é impensável. Os discípulos sabiam dos perigos de se pregar em público uma declaração como esta. Mas, mesmo o sinédrio judaico, que era a cúpula e aristocracia de Jerusalém ordenando expressamente que não podiam mais falar no nome de Jesus, eles responderam: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5:29).

Somente uma experiência muito real e verdadeira poderia converter um grupo covarde de seguidores, escondidos com medo da perseguição, com pouca cultura, decepcionados e frustrados, com o coração quebrado e a moral despedaçada em verdadeiros arautos da ressurreição. Dispostos a suportar os mais terríveis açoites e formas de serem mortos: “Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido.” (Atos 4:20). Eles eram testemunhas do maior milagre do mundo e não podiam ficar calados. Aleluia, porque eles tiveram a coragem de falar aos quatro cantos da terra que Jesus ressuscitou e está hoje vivo, assentado à direita de Deus Pai (Mc 16.19).

Dr. William Barclay afirma que a ressurreição de Jesus é a prova contundente de que a verdade é mais forte do que a mentira. Mataram Jesus porque queriam calar a verdade, mas, quando Ele ressuscitou hasteou a bandeira da verdade sobre o império da mentira. A luz de Cristo raiou naquela manhã para dissipar toda mentira e engano para sempre. Nenhuma fraude poderia subsistir por dois mil anos, e poderia ser propagada ou defendida até à morte por tantos homens em tantas épocas, culturas e nacionalidades. “Pode-se afirmar, sem a mínima hesitação, que a ressurreição de Cristo é o fato mais bem comprovado da história.” [2]

d) Nós ainda permanecemos em nossos pecados (v. 17). Se Jesus não tivesse ressuscitado dos mortos todos nós ainda estaríamos sob o jugo infeliz do pecado. Estaríamos condenados à morte eterna (Rm 6.23). O brado de Jesus na cruz: “está consumado” não teria efeito.

e) Os que dormiram em Cristo pereceram (v.18). Se não houvesse a ressurreição de Cristo todos os que morreram crendo n’Ele teriam morrido em vão. Estariam condenados à terem seus corpos apodrecendo no silêncio do sepulcro por toda a Eternidade. A ressurreição de Lázaro teria sido em vão, pois foi ressuscitado para morrer novamente. Enquanto, o nosso Cristo e Salvador morreu para ressuscitar e provar ao mundo que todos os que crêem n’Ele não crêem numa mentira, mas que também ressuscitarão assim como Ele ressuscitou. “Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder.” (1 Co 6:14)

f) E, por último, se Cristo não ressuscitou, os cristãos são os mais infelizes dos homens (v.19)[3] porque nossa salvação se limitaria apenas à nossa breve passagem pelo palco da vida. Isto é, a salvação seria apenas para enquanto estamos vivos. A morte significaria o fim de tudo, o vazio existencial e uma nulidade do propósito da nossa existência. Seríamos apenas como os animais que nascem, reproduzem e morrem. Não há um depois, nem amanhã. Mas, louvado seja o nosso Deus, porque graças a Cristo que venceu a morte temos a garantia que a morte não é uma parede, mas uma porta. Temos a certeza que nossa vida se estende além túmulo, que as nossas sepulturas não irão nos deter, e assim como a pedra foi removida do sepulcro de Cristo, assim também as sepulturas dos salvos serão abertas e “e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” 1 Tessalonicenses 4:16,17.

Em suma, a ressurreição de Jesus é a prova de que a mentira não pode sufocar a verdade, de que o mal não pode vencer o bem, de que o amor é mais forte do que o ódio e de que a morte não é mais forte do que a vida.[4] Se Jesus não tivesse saído daquela sepultura a morte teria vencido. Mas, enquanto alguns tem corpos de santos envoltos em redomas de vidro para serem cultuados, ou sepulturas com homenagens aos mortos, nós, cristãos, temos uma sepultura vazia para mostrar ao mundo que embora a sepultura esteja vazia, o Trono está ocupado.

 Para todos os fundadores das maiores religiões do mundo podemos citar o brilhante escritor nordestino Ariano Suassuna: “Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.[5] De fato, para todo ser vivo, a morte é a mais temida e odiada inimiga de quem ninguém pode escapar. Mas, diante do sepulcro vazio de Jerusalém, todos os que crêem em Jesus Cristo temos a ousadia de tomar as palavras do profeta Oséias, parafraseadas pelo Apóstolo Paulo, para indagar à morte: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” 1 Co 15:55.

 Tomé precisava de uma prova para crer na ressurreição de Jesus. Por isso, Jesus apareceu para ele e disse uma das frases mais contundentes e maravilhosas da História que repercute até os nossos corações nos dias de hoje: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” Jo 20:29.

 Em Cristo,

Pr. Flávio Alves



[1] OLIVEIRA, Marcelo de. Mensagens que transformam. São Paulo, Ed. 2009. Edição do autor. Pág. 93.

[2] CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento Interpretado: Versículo por versículo. Volume 7, dicionário, M-Z. 2ª Ed, São Paulo, Hagnos, 2001. Pág. 5163.

[3] THIESSEN, Henry Clarence. Palestras Introdutória à Teologia Sistemática.  Imprensa Batista Regular do Brasil, São Paulo, 2001. Pág. 238.

[4] OLIVEIRA, Pág. 95.

[5] SUASSUNA, Ariano. O Auto da Compadecida. Rio de Janeiro: Livraria AGIR Editora. 1975.

terça-feira, 26 de maio de 2020

A VERDADE QUE O MUNDO NÃO QUER OUVIR: JESUS CRISTO ESTÁ VOLTANDO!


A VERDADE QUE O MUNDO NÃO QUER OUVIR: JESUS CRISTO ESTÁ VOLTANDO!

Jesus Cristo vai voltar! Esta é a mensagem que ecoa mais forte quando olhamos para este mundo conturbado e sem solução. Não há dúvidas, estamos já na última hora do relógio de Deus: Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora. 1 João 2:18. O mundo, os homens, a natureza e toda a criação já deram todos os sinais possíveis que a vinda do Rei se aproxima. A qualquer momento Jesus surgirá nos céus para “arrebatar”, isto é, tirar para si com rapidez e poder a sua Igreja que foi comprada e lavada no seu próprio sangue (I Co 15.23; I Ts 4.16,17). A verdade mais contundente e inconveniente para muitos é que estamos na hora mais propícia para a volta de Cristo.

O aumento das heresias, apostasia, decadência moral e espiritual das sociedades, a bagunça no clima e na natureza quer sejam naturais ou provocados pelos homens assinalam que chegou a hora. Precisamos manter viva a mesma expectativa dos tempos apostólicos: “Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo;” Tito 2:11-13.

Não preciso “sensasionalizar” este fato, a Bíblia não precisa da minha ênfase para ter mais força no que diz, ela é categórica: “(...) Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” Atos 1:11. Você está preparado para este acontecimento? O mundo zomba da nossa esperança assim como zombavam de Noé e sua arca, até que sobreveio a tempestade e não puderam se salvar. A Igreja é hoje uma grande arca. O mundo de hoje está tão corrompido quanto o da época de Noé. A Grande Tribulação será muito pior do que o dilúvio foi para mundo. Mas, nós não precisamos temer: “Se somos crentes em Jesus Cristo, já passamos pela tempestade do Juízo. Ela aconteceu na cruz.” Billy Graham. Para isto a Bíblia nos assegura: “Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria.” Malaquias 4:2.

Durante toda a História da humanidade vemos atrocidades, genocídios, injustiças, mentiras e iniqüidades que ficaram impunes. “Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo.” Malaquias 4:1. O mal terá um fim, e toda a terra verá a glória daquele a quem mataram numa cruz. A história caminha para este fim, ela não é cíclica como dizem alguns, ela é linear, possui começo, meio e terá um fim. C.S. Lewis disse que a hora em que o autor da peça entrar no palco do teatro é sinal de que se acabou o espetáculo! Por isso o Senhor Jesus ordenou João passar para a Igreja:

Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus.
Apocalipse 22:20

Pr. Flávio Alves

domingo, 24 de maio de 2020

O QUE FAZER QUANDO SOMOS AFRONTADOS

O QUE FAZER QUANDO SOMOS AFRONTADOS

Imagine você habitar numa terra seca, e todo o seu fornecimento de água viesse de um poço que você cavou com muito trabalho. Agora, imagine se seus vizinhos chegassem e contendessem com você dizendo que este poço lhe pertence. O que você faria?
Provavelmente, entraria na Justiça se existisse, ou chamaria a polícia...Mas, isso aconteceu com Isaque, e sabe o que ele fez? Nada. Apenas se retirou daquele lugar e foi para outro.
Embora a perseguição continuasse, ele persistiu, confiando nas promessas de Deus para sua vida. Sua colheita foi extraordinária, seu crescimento espantoso. Porquê? Deus era com ele. "E partiu dali, e cavou outro poço, e não porfiaram sobre ele; por isso chamou-o Reobote, e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra." Gênesis 26:22.
Existem momentos em nossas vidas que é necessário se calarmos e deixarmos Deus falar em nosso lugar. Confie no Senhor, Ele te fará crescer em meio á perseguição. Na verdade, as afrontas deles só servem para te tirar do lugar estreito para o largo. Servimos a um Deus que reverte as coisas ruins em nosso favor.

Pr. Flávio Alves

quinta-feira, 21 de maio de 2020

É correto usar objetos judaicos no templo evangélico?

É correto usar a Estrela de Davi, o Candelabro, a Arca da Aliança e outros objetos da Velha Aliança?

Minha opinião é:

A Igreja brasileira está adotando práticas judaizantes, e isto não é de hoje. Se for por questão de ornamentação não poderemos questionar a iconoclastia da Igreja Católica. Nós não temos a mesma aliança que os judeus tem com o Senhor Yahweh. Nós somos o Novo Israel de Deus, mas a aliança da Igreja de Cristo (Graça), não pode ser confundida com a aliança dos filhos de Abraão com Deus (Lei). São duas alianças diferentes, ou você está debaixo da Lei ou debaixo da Graça. 

A Igreja de Cristo não precisa de ornamentações israelitas em nosso meio, a não ser em cursos teológicos ou em palestras, onde se explica o simbolismo(tipologia) dos objetos sagrados que aponta para Cristo. Se temos Cristo, porque precisamos da sombra? Se temos Cristo porque precisamos de simbolismos da Velha Aliança! Estamos na Nova Aliança! 

Creio, que a intenção é o que vale, contudo, deve haver ressalva para que não judaizemos a Igreja de Cristo. Algo que o apóstolo Paulo tanto combatia. Minha conclusão é que estes símbolos são desnecessários e desvirtuam o verdadeiro cristianismo!

Afinal, somos pastores e não rabinos. Somos cristãos e não judeus. Não precisamos de circuncisão ou celebrar as festas judaicas. Respeitamos e admiramos, mas em Cristo toda a Lei e todos estes símbolos foram cumpridos. Resta-nos agora as lições para nos ensinar. Não podemos confundir a igreja de Cristo com uma sinagoga. 

Pr. Flávio Alves

quarta-feira, 13 de maio de 2020

A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS


 A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
Atos 2:42

Antes de tudo precisamos definir o que significa a palavra “doutrina”, visto que durante muitos anos o povo evangélico cultivou um conceito errôneo da palavra doutrina. Muitos ministros ensinavam usos e costumes humanos como se fossem doutrina, deturpando o real significado da palavra. O termo “doutrina” deriva do latim Doctrina e se refere primariamente a um conjunto de ensinamentos, os princípios fundamentais de uma crença. E ciente disso podemos definir que a doutrina dos apóstolos se refere exatamente a este conjunto de ensinamentos que distinguiam a igreja primitiva recém inaugurada do judaísmo predominante. Era necessário que os apóstolos ditassem as novas normas e regras de conduta e fé que os nazarenos, como assim eram chamados, pudessem seguir.

Diante desta assertiva podemos identificar um tronco doutrinário comum enfatizado pelos apóstolos nos primeiros dias da Igreja de Cristo. Comparando com os dias atuais percebe-se um distanciamento da igreja evangélica da verdadeira doutrina dos apóstolos. Sem a sã doutrina uma igreja local pode facilmente se transformar em uma seita, comprometendo gravemente a salvação pessoal dos fiéis.

Mas, quais eram os pilares da doutrina apostólica? Quais os principais ensinamentos dos líderes da Igreja que eram indubitavelmente guiados e inspirados pelo Espírito Santo? São eles: A autoridade inquestionável das Escrituras; a divindade, encarnação, morte e ressurreição de Cristo; a necessidade do arrependimento para salvação do homem e a volta de Cristo.

A autoridade inquestionável das Escrituras:

Os apóstolos sempre abalizaram suas mensagens nas Escrituras. Quando Pedro se dirigiu à multidão que interrogava sobre a manifestação dos dons de línguas estranhas que a igreja falava após a descida do Espírito Santo, ele começou a explicação pela Palavra de Deus. E esse foi o padrão de todas as mensagens pregadas pelos apóstolos. A igreja de Cristo está abalizada na Palavra de Deus e não nas experiências humanas ou qualquer outro livro porque ela é:

a.       A maior fonte da revelação de Deus para a Humanidade. Sabemos que Deus se revela à humanidade através da natureza, da história e na consciência humana. “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis;” Romanos 1:20. Sabemos também que Deus se revela de forma especial de acordo com sua insondável vontade e sabedoria. E dentre as formas d’Ele se revelar estão os milagres, as profecias, e as Escrituras. Sendo esta última o pêndulo que comprova ou não os milagres e as profecias.

A revelação da Palavra de Deus é superior aos milagres, pois o diabo também pode realizar milagres: ele fez a serpente falar no meio do Jardim do Éden (Gn 3.4), faz fogo descer do céu (Jó 1.16). E Satanás também pode prever o futuro com sua sabedoria (I Sm 28.8-20). E sobre esta passagem polêmica podemos afirmar que se trata de uma manifestação diabólica por alguns motivos: 1º Deus não permitiria que um ímpio inquietasse o sono dos justos. 2º O espírito disse que mais tarde Saul e seus filhos estariam com ele na morte. Saul cometeu suicídio, e sabemos que assassinos não está com os justos após a morte. 3º Feitiçaria é pecado abominável ao Senhor.

Portanto, a Palavra de Deus é a maior revelação de Deus para os dias atuais e está acima das profecias e dos milagres dos “profetas” que se levantam em nossos dias. Existe um hábito de muitos em declarar por vontade própria: “Eu vou profetizar agora” Isto é antibíblico, pois as Escrituras revelam que “... a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” 2 Pedro 1:21. As profecias precisam passar pelo crivo da Palavra de Deus. E muitos estão se perdendo por dar mais créditos a essas “profecias” e “revelações” místicas do que a própria Bíblia Sagrada.

b.      A única fonte de regra, conduta e fé da Igreja: Pois, somente ela possui genuinidade, credibilidade, canonicidade e inspiração. “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;” 2 Timóteo 3:16. O livro de mórmon, o Livros dos Espíritos de Alan Kardec, os escritos de Ellen Whitte, ou o Al corão não estão a pé de igualdade com a Palavra de Deus. Ela é mais atual que o jornal de amanhã, escrita num período de três mil anos, por cinqüenta escritores diferentes em quatro continentes, cuja maioria não se conheceram entre si possui uma harmonia comparada a uma grande orquestra comandada por um só maestro, o Espírito Santo, tocando a sinfonia do amor de Deus pela humanidade e enaltecendo a Jesus Cristo como seu início e fim!

c.       A maior e mais poderosa fonte de doutrina: Nenhum comentário bíblico, nenhum tratado de teologia, ou escritos de doutores é mais poderoso do que a Palavra de Deus. “É nela que encontramos os ensinamentos puros que regram a nossa caminhada cristã. Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” Salmos 119:105. Se algum ensinamento de quem quer que seja contrariar a Palavra de Deus deve ser rechaçado e expulso de nosso meio. “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.” Tito 2:1.


d.      A doutrina dos apóstolos não deve ser confundida com a doutrina de homens:

Muitos confundem os usos e costumes humanos com a verdadeira doutrina dos apóstolos. A primeira se refere a dogmas culturais que variam de local, nacionalidade, regionalidades e época. A segunda é insubstituível e trata-se dos ensinamentos inegociáveis que fundamentam o cristianismo. Alguns líderes querem impor sobre a igreja sua forma de ver e pensar como se fossem doutrina bíblica. E muitas vezes se utilizam de trechos isolados e mal interpretados para abalizarem seus pensamentos. Questões como o que se deve comer, vestir ou usar são muitas vezes transformadas em jugo pesado que nem os próprios líderes conseguem carregar. A Bíblia se refere a esta questão da seguinte forma:

Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras:
"Não manuseie! " "Não prove! " "Não toque! "?
Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.
Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Colossenses 2:20-23 (NVI)


e.       Quem pensar em negociá-la estará perdendo a própria salvação:

A igreja cristã europeia tem pago um alto preço por ter aberto mão dos seus princípios e da doutrina dos apóstolos com sua teologia liberal. Assim, belíssimos templos com séculos de existência tem se transformado em bares, restaurantes e até mesquitas. O NT traz duras verdades para que não cuida da dourina dos apóstolos: “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.”
2 João 1:9

É por isso que o apóstolo Paulo exorta ao seu filho na fé Timéteo a perserverar na doutrina: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem." 1 Timóteo 4:16

f.   A apostasia é sinal dos últimos dias: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;” (2 Timóteo 4:3) Precisamos, acima de tudo ter a mesma postura de Nabote para com sua vinha quando se trata deste pilar que sustenta toda a nossa Fé. Com a doutrina dos apóstolos nós não negociamos, vendemos ou trocamos. Temos que permanecer fiés até o fim.


Pr. Flávio Alves

sexta-feira, 17 de abril de 2020

O Amor, o tempo e a morte

Texto de 2017.

PENSAMENTOS VAGOS: O tempo, o amor e a morte 

O tempo passa, pessoas mudam, uns vem, outros vão. A vida prossegue, marcas surgem, transformam-se em cicatrizes. Não sangra, a dor permanece. Lembranças incomodam, prendem a respiração, se solta na nostalgia. A vontade renasce, de amar, abraçar, olhar, sorrir... Nas metamorfoses da vida uns se transformam em borboletas, belas e coloridas. Outros em lagartas feias e perigosas. Não podemos decidir quase nada do que acontece conosco. O tempo, o amor e a morte tudo molda com seu toque gélido. Fases que passam. São apenas fases. Eu sou passageiro no trem da vida. Pena que não sabemos em qual estação iremos descer. Mas, viver é preciso. Esperança é o combustível. Dias mais claros, coloridos, divertidos, amorosos virão. O tempo muda, mas nos presenteia todos os dias com vários segundos, minutos, horas. O amor decepciona, mas nos faz sentir, viver, voar. A morte é traiçoeira, mas o medo que temos dela nos faz aproveitar melhor o tempo e o amor. Saibamos viver plenamente. 

Flávio Alves

domingo, 5 de abril de 2020

O BODE EMISSÁRIO ERA OFERECIDO AO DEMÔNIO?


O BODE EMISSÁRIO ERA OFERECIDO AO DEMÔNIO?

Esta foi a pergunta que fizeram para mim. O capítulo 16 de Levítico trata sobre o “dia da expiação”, o “YOM KIPPUR”. Esta era a data mais importante no calendário do povo de Deus. Era o maior de todos os dias no ano, pois nesse dia era feita a expiação de pecado de todo o povo. Joel Leitão informa que naquele dia era feita a expiação: por Arão e os seus filhos; por todo o povo de Israel; e pelo Tabernáculo e seu mobiliário.[1] Era observado no dia dez do sétimo mês (Lv 23. 27), e era também chamado de “dia da santa convocação”. Neste dia eram escolhidos através de um sorteio o bode expiatório e o emissário. “E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo Senhor, e a outra pelo bode emissário.” (Lv 16:8). O primeiro era sacrificado e o segundo levado para ser abandonado no deserto.[2] Eram quinze animais sacrificados nesse dia.

A expiação feita com o bode do Senhor consistia no seguinte ritual: o bode era degolado, o seu sangue era levado para dentro do véu, no Santo dos Santos, e o sacerdote fazia como com o sangue do novilho. O Sumo-sacerdote vestido com a roupa sacerdotal aspergia o sangue do animal sobre o propiciatório e sete vezes com o dedo pelo chão, depois de também colocar o sangue nas quatro pontas do altar (Lv 16. 15-19).

Após, era feita a expiação do Santuário e a Tenda da Congregação. Tendo sendo feito esta parte, o Sumo-Sacerdote se dirigia ao segundo bode. “Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário.” (Lv. 16. 10). Este animal era oferecido ou apresentado vivo perante o Senhor (v.20). Arão colocava as mãos sobre o bode e confessa os pecados de todo o povo, depois enviava o animal pelas mãos de um homem escolhido para o deserto, também chamado de terra solitária. A palavra hebraica utilizada neste texto é “Azazel”, e nesse ponto que reside o cerne da questão.

Alguns escritores sustentam a versão de que Azazel era um demônio. Provavelmente baseado no livro apócrifo de I Enoque e da Cabala judaica. Livros escritos posteriores e que refletem apenas à tradição judaica. Tal tradição considera Azazael como chefe dos demônios do deserto. Assim, Azazel seria um ser pessoal, um espírito, ou o próprio Satanás.[3] A demonologia de Israel sustenta esta versão de que o animal era oferecido para que Satanás não atacasse o povo.

No entanto, esta interpretação possui vários problemas teológicos. Uma vez que desprezam os outros possíveis significados da palavra Azazel. Segundo a tradição talmúdica, seria o nome de um local, significando “duro e áspero”, referindo-se a alguma região montanhosa do deserto; As primeiras traduções do texto hebraico, a exemplo da Septuaginta, da Vulgata e mesmo da tradução de Símaco, indicam se tratar do próprio bode em sua função, enquanto “bode emissário”, por ser enviado ao deserto; De acordo com os estudos etimológicos presentes em léxicos importantes (Genesius e BDB), a palavra seria uma abstração, tendo o sentido de “remoção total”[4].

F. F. Bruce acrescenta a informação de que a expressão também pode ser entendida como “para o precipício”, e explica que em tempos posteriores, era costume empurrar um bode vivo num despenhadeiro a 5 ou 6 km de Jerusalém. E de que também há uma palavra árabe de pronúncia semelhante que significa “lugar árido.”[5]

A narrativa de que Azazel se trata de um demônio não encontra consenso em todos estudiosos judeus, uma vez que um dicionário judeu define assim: “Azazel, bode expiatório ou bode do afastamento.”[6] O texto sagrado nos deixa evidente que o bode carregava sobre ele todos os pecados de Israel. “Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles à terra solitária; e deixará o bode no deserto.” (Lv 16.22). O que é confirmado em toda a Palavra de Deus de se trata de uma tipologia do próprio Cristo: “...mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. [...] porque as iniqüidades deles levará sobre si.” (Is 53:6 b, 11). O apóstolo Pedro nos ensinou esta verdade: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro.” (1 Pe 2:24). E que este lugar ermo se refere ao caráter da Obra de Cristo em relação ao nosso pecado, como foi profetizado por Miquéias: “lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.” (Miquéias 7:19).

Tudo isto para que se cumprisse a profecia de Salmos 103.12: “Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.” Dessa forma, enquanto o bode degolado aponta para Cristo sendo crucificado por nossos pecados, o bode emissário sendo levado ao deserto aponta para Cristo levando nossos pecados sobre si. De forma nenhuma o diabo, ou algum demônio poderia levar nossos pecados sobre ele ou ter parte na Obra expiatória de Deus pelos pecados dos homens.

Pr. Flávio Alves


[1] MELO, Joel Leitão de, 1909. Sombras, tipos e mistérios da Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD, 1989. Pág. 76-18.
[2] CHAMPLIN, Russell Norman, 1933. O Antigo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol.1. 2ª Ed. São Paulo, Hagnos, 2001. Pág. 537.
[3] CHAMPLIN, Russell Norman, 1933. O Antigo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol.6. 2ª Ed. São Paulo, Hagnos, 2001. Pág. 3872.
[4] RUPPENTHAL, Willibaldo Neto. AS INTERPRETAÇÕES DE AZAZEL EM LEVÍTICO 16. Revista Ensaios Teológicos. Vol. 2, Nº 01, 2016.
[5] COMENTÁRIO BÍBLICO NVI: Antigo e Novo Testamento. Editor geral F.F. Bruce. Tradução: Valdemar Kroker. São Paulo, Editora Vida, 2008. Pág. 281.
[6] MELO, ibidem. Pág. 78.